Itaueira amplia venda de melão para os EUA

A presença da empresa no evento é estratégica para a abertura de novos mercados

Escrito por Egídio Serpa* - Colunista producaodiario@svm.com.br
23 de Outubro de 2015 - 01:00
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Legenda: A empresa decidiu que boa parte de sua produção cearense de melão e melancia da safra 2015/2016 será destinada ao mercado externo

Atlanta, GA (EUA). Tradicional expositora da PMA Fresh Summit, maior feira de frutas das Américas, que se abre hoje nesta cidade do Estado norte-americano da Georgia, a Itaueira Agropecuária - com fazendas de produção no Ceará, Piauí e na Bahia - já decidiu: boa parte de sua produção cearense de melão e melancia da safra 2015/2016 será destinada ao mercado externo. A decisão levou em conta a explosão do dólar e também a crise da oferta hídrica, que se agudizará no próximo ano, de acordo com a Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme).

O empresário Carlos Prado, sócio majoritário da Itaueira, uma empresa familiar com tentáculo também na indústria - a Cemag, que produz em Fortaleza implementos para a agricultura, também é da família - disse ontem, ao Diário do Nordeste, que a empresa ampliou sua área de produção na Bahia e no Piauí, onde usa água de poços profundos para irrigar, por gotejamento, sua plantação de frutas. "Sem embargo do câmbio favorável, exportar, principalmente para os Estados Unidos, continua sendo difícil", afirmou Prado, lembrando que o governo norte-americano impõe à fruta brasileira, há vários anos, uma taxa de entrada de 28% sobre o valor CIF, isto é, com frete e seguro incluídos.

Essa taxa, que não é cobrada de países concorrentes centro-americanos, como a Costa Rica, e sul-americanos, como o Chile, é uma das más consequências da posição do governo brasileiro, que, inexplicavelmente, não tem acordo de livre comércio dos Estados Unidos e Europa.

Presença estratégica

De acordo com Carlos Matos, a presença da Itaueira entre os cerca de dois mil expositores da PMA Fresh Sumit foi, até hoje, estratégica para a abertura de novos mercados. Suas exportações de melão para os Estados Unidos sempre foram pequenas por causa do mercado interno brasileiro, que é forte e crescente e tem preço competitivo.

Mas agora, com o câmbio favorável e a queda do poder de compra da população, a Itaueira amplia suas vendas não só para o mercado consumidor estadunidense, mas também para o da Europa, com cujos importadores as relações, que sempre foram boas, tornaram-se mais dinâmicas nas últimas semanas.

Por questão de logística - a fazenda de produção da Itaueira no Ceará está próxima do porto do Pecém, ao contrário das do Piauí e da Bahia, muito distantes de um terminal portuário - serão o melão e a melancia que a empresa produz no Ceará, na região do Baixo Jaguaribe, que atenderão à demanda importadora dos Estados Unidos e da Europa. Mas as vendas para a Rússia e para o Oriente Médio também crescerão.

Tudo, porém, dependerá da próxima temporada de chuvas, que, segundo a Funceme, será de novo abaixo da média.

Na Europa, as frutas brasileiras - também por falta de um acordo de livre comércio do Mercosul com a União Europeia - são igualmente apenadas com uma sobretaxa de 8%, algo que não acontece com as frutas produzidas pelo Chile, cujo governo tem acordo comercial com os europeus.

Dificuldades

Falando sobre as dificuldades de produzir em época de crise hídrica, como a que o Nordeste - principalmente o Ceará - enfrenta agora, Carlos Prado deixou bem claro a posição dos fruticultores cearenses: se as águas do Projeto São Francisco de Integração de Bacias não forem concluídas no prazo - até o fim do próximo ano - a sua atividade estará comprometida, podendo ficar mesmo inviabilizada, pois sem oferta de água não haverá produção.

*O colunista viajou a Atlanta a convite da PMA Fresh Summit