Entenda como as cooperativas de crédito beneficiam o desenvolvimento local

Modelo baseado na participação distribui resultados e mantém recursos nas regiões

02 de Julho de 2026 - 07:00 (Atualizado às 09:54)
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Legenda: Sistema cooperativo impulsiona negócios e geração de empregos.
Foto: divulgação

Você sabe para onde vai o dinheiro que deposita todos os meses? A resposta pode ir além da conta bancária e revelar impactos na economia da própria comunidade em que se vive. Em um momento em que cresce o interesse por escolhas financeiras mais conscientes, entender o destino desses recursos se torna parte fundamental da decisão.

Modelo baseado na participação

O sistema financeiro reúne diferentes formatos de atuação, e entre eles estão as cooperativas de crédito. Nesse modelo, quem utiliza os serviços também faz parte da instituição. Não são clientes, mas associados, com participação ativa no negócio. “Diferente das instituições financeiras tradicionais, a cooperativa não tem fins lucrativos. Seu propósito é a prosperidade coletiva, ou seja, o desenvolvimento conjunto de todos os associados”, explica Eduardo Demes, diretor-executivo da Sicredi Veredas.

Enquanto no formato tradicional os lucros das instituições são direcionados a acionistas, nas cooperativas o resultado é compartilhado entre os próprios associados. Além disso, qualquer pessoa pode se associar, abrir conta e acessar os produtos e serviços disponíveis. O modelo coloca o associado como participante ativo e direto em decisões e contribuições para os rumos da cooperativa, principalmente através de assembleias, espaços em que ele pode votar e auxiliar na definição de estratégias e prioridades.

Eduardo Demes, diretor-executivo da Sicredi Veredas: “propósito de cooperativas é a prosperidade coletiva''
Legenda: Eduardo Demes, diretor-executivo da Sicredi Veredas: “propósito de cooperativas é a prosperidade coletiva''
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Na prática, esse funcionamento também beneficia os negócios locais. É o caso do microempreendedor Manoel Pereira, que atua há mais de duas décadas no ramo de confecção de fardamentos escolares, profissionais e hospitalares. “Tenho conta no Sicredi desde 2023, um ano depois da pandemia, quando tudo estava difícil para dar continuidade ao meu negócio. A Sicredi, na pessoa de Dona Fátima, gerente na época, apareceu na minha empresa e consegui crédito junto à cooperativa. Hoje, continuo associado Sicredi e não penso em mudar”, relata.

Com o dinheiro depositado circulando na própria região, um ciclo contínuo de desenvolvimento é promovido. Esse processo começa com a utilização dos serviços financeiros e se desdobra em diferentes frentes, como crédito para empreendedores, financiamento para produção agrícola, aquisição de bens e investimentos pessoais. Esses recursos impulsionam negócios, geram empregos e ampliam a renda local.

Historicamente ligado ao desenvolvimento

O cooperativismo de crédito surgiu no século XIX como alternativa às dificuldades de acesso ao sistema financeiro tradicional. No Brasil, o modelo já ultrapassa um século de atuação e segue em expansão. Nesse contexto, o Sicredi é integrante desde a fundação da primeira cooperativa de crédito da América Latina, Sicredi RI, em 1902.

Atualmente, o cooperativismo de crédito reúne cerca de 394 milhões de associados em 118 países. No Brasil, o cooperativismo de crédito já reúne cerca de 19,2 milhões de cooperados, segundo dados do Panorama do Sistema Nacional de Crédito Cooperativo (SNCC), publicação anual do Banco Central do Brasil (BC). Desses, 10 milhões são associados ao Sicredi, a instituição financeira cooperativa com o maior número de associados do país. Além disso, cidades com cooperativas de crédito apresentam indicadores econômicos mais favoráveis, como maior geração de empregos formais, crescimento do número de empresas e aumento do PIB per capita.

Cooperativas de crédito são regulamentadas

Apesar de ainda haver dúvidas sobre o funcionamento dessas instituições, as cooperativas de crédito integram o Sistema Financeiro Nacional e seguem as mesmas regras aplicadas aos bancos. Eduardo Demes reforça que “o Sicredi segue as mesmas regras dos bancos. É uma instituição financeira autorizada e regulamentadas pelo Banco Central do Brasil, com controles rigorosos de capital, liquidez e gestão de riscos”, detalha.

Ele acrescenta que os recursos dos associados contam com proteção Fundo Garantidor do Cooperativismo de Crédito (FGCoop), que assegura valores de até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ, oferecendo um nível equivalente de proteção ao sistema bancário tradicional.

O futuro é do cooperativismo

A busca por instituições com propósito, proximidade e impacto positivo tem ganhado espaço. Alinhado às novas demandas do mercado, o cooperativismo se apresenta como uma alternativa que une serviços financeiros à ideia de desenvolvimento coletivo. Segundo o diretor, “ser associado é participar de um modelo em que todos crescem juntos, com mais autonomia, protagonismo e benefícios compartilhados”.

Toda escolha financeira gera impacto. A questão é entender qual papel o seu dinheiro desempenha nesse processo. Em modelos cooperativos, ele continua trabalhando para quem o deposita, ao mesmo tempo em que contribui para movimentar negócios, fortalecer comunidades e impulsionar um ciclo de crescimento compartilhado. Ser cooperativa, faz a diferença.