Todos os dias, Gildo Bezerra caminha entre fileiras de mudas que ele mesmo viu nascer. Ipê-roxo, jatobá, Gonçalo-Alves. Ele reconhece cada espécie pelo nome, pela folha e pelo jeito de crescer. Esse conhecimento veio da mata, quando trabalhava como mateiro na área onde hoje funciona a ArcelorMittal Pecém, em São Gonçalo do Amarante. Desse trabalho nasceu o viveiro que hoje sustenta a família dele. Um dos clientes é a própria siderúrgica que ele ajudou a preservar.
“Eu conhecia o mato, mas foi ali que aprendi a ver cada árvore como uma semente para o futuro. Hoje, cada muda que sai do meu viveiro leva um pouco daquela história. É o que sustenta a minha família”, conta Gildo.
A história dele faz parte de um compromisso que a ArcelorMittal Pecém completa dez anos colocando em prática no Ceará. Para a empresa, sustentabilidade é um valor. Ele aparece na forma de produzir aço, no cuidado com o território e na vida das pessoas que convivem com a usina.
Antes do aço, as sementes
Quando as obras começaram, a equipe de Meio Ambiente definiu uma regra: nenhuma árvore podia ser cortada antes da coleta de frutos e sementes. Mateiros como Gildo foram fundamentais para isso. Eles conheciam o território e ajudavam a identificar cada espécie. O levantamento mapeou 90 espécies nativas.
“Nenhuma árvore saía do terreno sem antes deixar semente. Isso exigia tempo, paciência e muita gente no mato, árvore por árvore. Valeu a pena. Hoje eu ando nas áreas reflorestadas e encontro espécies que vieram daquelas coletas”, relembra Ramyro Batista, analista de Meio Ambiente da ArcelorMittal Pecém, que está na unidade desde 2012.
As sementes viraram floresta. Cerca de 321 mil mudas recuperaram aproximadamente 412 hectares na Estação Ecológica do Pecém, na Lagoa do Bolso e na área interna da usina. O trabalho rendeu à empresa o primeiro Certificado de Reposição Florestal emitido pela Superintendência Estadual do Meio Ambiente (Semace) no Ceará. O excedente de sementes ajudou a criar o primeiro Banco de Sementes Florestais Nativas do estado, no Parque Estadual Botânico, em Caucaia.
"O gonçalo-alves mostra o tamanho dessa mudança. No inventário florestal de 2009, a área tinha apenas três árvores adultas da espécie, então ameaçada de extinção. No levantamento de 2026, foram estimados 1.701 indivíduos nos aproximadamente 350 hectares de vegetação remanescente da usina, grande parte deles já se reproduzindo. Segundo o estudo, o resultado vem dos plantios de reposição florestal feitos após a supressão da vegetação para a construção da siderúrgica".
Cuidado faz parte da rotina
Dez anos depois, a preservação segue no dia a dia da unidade. Desde 2025, as ações de fauna e flora seguem o Plano Diretor de Biodiversidade. A empresa continua coletando sementes e doando material ao Parque Botânico e ao Jardim Botânico de São Gonçalo do Amarante.
O mesmo cuidado está dentro da produção. A usina possui um cinturão verde no entorno do pátio de matérias primas, recircula 98,2% da água que utiliza, reaproveita 100% dos gases do processo para gerar a própria energia e mantém a meta de Aterro Zero, transformando resíduos em coprodutos para a construção civil e o agronegócio.
“Desde a construção da usina, a regra era conhecer e proteger a flora antes de qualquer intervenção. Esse cuidado continua no nosso dia a dia. Seguimos produzindo conhecimento sobre biodiversidade, plantando espécies nativas e levando educação ambiental para empregados, escolas e comunidades. Para nós, produzir aço com responsabilidade inclui cuidar do território onde estamos”, afirma Leonardo Velozo, gerente de Meio Ambiente da ArcelorMittal Pecém.
Novas gerações plantando
A preservação também passa de mão em mão. No projeto “Um Filho, uma Árvore”, empregados que acabaram de ter filhos plantam uma muda nativa em bosques dentro da usina. A árvore cresce junto com a criança. Nas escolas de São Gonçalo do Amarante, estudantes cuidam de hortas escolares e aprendem sobre a flora da região. Nas praias, moradores, pescadores e voluntários participam de mutirões de limpeza.
Em 2026, esse caminho ganhou reconhecimento internacional. A unidade conquistou a certificação ResponsibleSteel™, padrão global que avalia critérios ambientais, sociais e de governança na produção de aço.
“A sustentabilidade é um valor da ArcelorMittal e se mede no território. A certificação ResponsibleSteel reconhece uma escolha feita lá no começo, de conhecer e proteger antes de construir. O que mais nos orgulha é ver esse valor na vida das pessoas: no Gildo, que fez das sementes o sustento da família, nos empregados que plantam árvores para os filhos e nas crianças que aprendem a cuidar da natureza”, afirma Patrícia Colaferro, gerente-geral de Sustentabilidade e Relações Institucionais da ArcelorMittal Pecém.
Sobre a ArcelorMittal Pecém
Integrante do grupo multinacional ArcelorMittal, a ArcelorMittal Pecém iniciou suas operações em 10 de junho de 2016, em São Gonçalo do Amarante, no Ceará. A siderúrgica possui capacidade instalada de produção de três milhões de toneladas de aço por ano.
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