Ceará eliminou 8.607 postos formais

Apenas em fevereiro, o Estado fechou 2.027 vagas. Trata-se do pior resultado para o mês na série histórica do Caged

Escrito por Redação producaodiario@svm.com.br
19 de Março de 2015 - 00:00

Os trabalhadores cearenses não estão tendo um início de ano fácil. Isso porque, no primeiro bimestre de 2015, 8.607 postos formais foram fechados no Estado, segundo informações do Cadastro Geral de Emprego e Desemprego (Caged), do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). Somente em fevereiro, foram eliminados 2.027 empregos com carteira assinada – o pior resultado para o mês na série histórica iniciada em 2003. No total, 40.053 pessoas foram admitidas no mês passado, enquanto que 42.080 perderam o emprego no mesmo período.

De acordo com o coordenador de estudos e análise de mercado do Instituto de Desenvolvimento do Trabalho (IDT), Erle Mesquita, o resultado de fevereiro contrariou uma tendência que vinha acontecendo há cinco anos, de crescimento nos postos formais no segundo mês do ano. “O primeiro trimestre é tradicionalmente ruim para os trabalhadores, mas, entre 2010 e 2014, o Ceará vinha sempre registrando avanço nos empregos celetistas durante o período. Essa retração acaba sendo um reflexo da desaceleração da economia”, opina.

Indústria puxa queda

Dentre os setores que mais eliminaram postos formais em fevereiro, destaque para a indústria cearense, que fechou 1.177 vagas com carteira assinada. No ano passado, o setor cortou apenas 74 empregos celetistas no período. “O comércio (-1.193) e a agropecuária (-1.011) também impactaram fortemente, já que demitiram bem mais do que no mesmo mês de 2014”, diz Erle.

Outro setor que impactou fortemente no fraco desempenho do Ceará em fevereiro foi o de serviços, um dos maiores empregadores do Estado. No mês passado, foram geradas apenas 672 vagas no setor, enquanto que, no mesmo período de 2014, 4.850 postos formais surgiram. “Quem já demitia, está demitindo mais. Quem contratava, está contratando menos. Essa é a realidade atual”, conta Mesquita.

O coordenador do IDT prevê, ainda, que a situação permanecerá difícil ao longo de 2015. “Será um ano complicado para o trabalhador cearense, por conta de vários fatores. Incertezas internacionais e nacionais, redução da capacidade de investimento por parte do poder público, endividamento das famílias e inflação são apenas alguns exemplos”, explica Erle Mesquita.

Brasil também negativo

No País, o número de trabalhadores demitidos em fevereiro superou o de admitidos em 2.415 vagas. O resultado é o pior para o mês, desde fevereiro de 1999, quando foi registrado saldo negativo de 78.030 empregos. O resultado decorre da diferença entre 1.646.703 admissões e 1.649.118 demissões registradas no mês. Em janeiro deste ano, o saldo negativo foi ainda maior: 81.774 postos de trabalho. Em fevereiro de 2014, houve avanço de 260.823 vagas.

Com isso, no acumulado do ano, a queda de postos de trabalho equivale a 80.732 postos e, nos últimos 12 meses, a redução corresponde a 47.228 empregos. Segundo o ministro do Trabalho, Manoel Dias, apesar de o resultado ter sido negativo, há um indicador positivo: “ele demonstra estabilização em relação ao resultado obtido em janeiro”. Os setores que mais influenciaram a queda do emprego em fevereiro foram o comércio e a construção civil.

Áquila Leite
Repórter