Com mais empreendedores, número de ocupados cresce 2,3% no CE

Segundo dados da Pnad Contínua, a massa de pessoas com 14 anos ou mais trabalhando no Estado avançou 2,3%, puxada pela alta (3,6%) de empregadores ou autônomos

Com dificuldades para ingressar em um mercado de trabalho retraído pela crise econômica, milhares de cearenses passaram a atuar por conta própria no ano passado para garantir o sustento. Conforme os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad Contínua), divulgada ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a estratégia foi significativa para a retomada do nível de ocupação no Ceará.

O levantamento mostra que ao mesmo tempo em que o número de pessoas ocupadas com 14 anos ou mais avançou 2,3% em 2017 ante 2016 no Ceará, com o ingresso de mais 80 mil cearenses no mercado, a quantidade de ocupados como empregadores ou por conta própria avançou 3,68% no mesmo período, o que corresponde à entrada de mais 40 mil pessoas no contingente de ocupados do Estado.

Esse avanço foi puxado pelo aumento de trabalhadores por conta própria, inclusive aqueles com registro no Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica (CNPJ). Embora a quantidade de autônomos sem formalização tenha avançado 3,8% na virada de 2016 para 2017 e seja maioria (87,7%), o número de profissionais com o CNPJ deu um salto de 13,8% em igual período, passando de 108 mil para 123 mil.

Já a quantidade de empregadores sem o registro no CNPJ avançou 12,8% na passagem de 2016 para 2017, com a entrada de mais 5 mil empreendedores no mercado.

Ainda assim, o total de empregadores formais voltou a cair 11,1% no ano passado, após ter registrado alta de 17,8% no ano anterior, levando o grupo a recuar 4,3% no período.

O mercado de trabalho na iniciativa privada (exceto trabalhadores domésticos) também apresentou significativa recuperação após dois anos de queda, com avanço de 2,47% no ano passado - o número de trabalhadores nesse segmento passou de 2,74 milhões em 2016 para 2,81 milhões no ano passado. Ao todo, há 3,513 milhões de pessoas com 14 anos ou mais ocupadas no Estado.

O chefe da unidade estadual do IBGE no Ceará, Francisco Lopes, argumenta que a recuperação registrada no período foi impactada pela quantidade de pessoas que não conseguiram ingressar no mercado formal e resolveram tocar outros projetos para gerar renda, seja por conta própria ou como empregadores. "É um desafio ainda reverter o quadro dos desalentados, que já desistiram de procurar emprego", pondera.

Lenta e gradual

Na avaliação de Mardônio Costa, analista de Mercado de Trabalho do Instituto de Desenvolvimento do Trabalho (IDT), a melhora gradual observada no mercado de trabalho em 2017 foi um reflexo da recuperação econômica no período pós-crise. "O nível de ocupação cresceu, mas ainda principalmente em função do mercado de trabalho informal e autônomo", aponta.

Com a tendência de estabilização da economia, o analista avalia que a recuperação do mercado de trabalho deva continuar, mas frisa que, se acontecer, continuará de forma lenta e gradual. "Temos um contingente de 472 mil desempregados no Ceará. Mantidas as projeções para o próximo ano, a perspectiva é de que o mercado de trabalho melhore, mas não vai ser do dia para a noite".

Nível de instrução

Os dados da Pnad ainda mostram que o percentual de pessoas ocupadas no Estado sem instrução vem caindo. A participação desse segmento no contingente de ocupados caiu 2 pontos percentuais na passagem de 2016 a 2017, de 36% a 32%. Já os profissionais com ensino médio completo e superior incompleto avançou, crescendo de 36% a 38% (superior completo 12% a 14%).