Resgates chegam ao 4º dia cercados de informações divergentes

A confirmação da primeira morte corrigida pelo Governo do Estado e a não divulgação da lista de vítimas do desabamento no Edifício Andrea revelaram um desencontro de informações e a falta de comunicação entre órgãos públicos

Desde que o Edifício Andrea desabou, no Bairro Dionísio Torres, muitas dúvidas e informações desencontradas vieram à tona. A primeira foi repassada pelo Corpo de Bombeiros Militar do Ceará e pela Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social do Estado (SSPDS). Ainda no último dia 15, o comandante-adjunto da corporação, coronel Cleyton Bastos Bezerra, e a SSPDS confirmaram, em entrevista e em nota, respectivamente, a primeira morte. Porém, na noite do mesmo dia, o governador Camilo Santana corrigiu a informação e negou qualquer registro de óbito, durante visita que fez ao local da tragédia acompanhado do prefeito Roberto Cláudio.

Horas depois, por volta das 23h56, em coletiva convocada à imprensa, o coronel Luís Eduardo Soares de Holanda, comandante do Corpo de Bombeiros, veio a público reiterar que, sim, havia sido encontrado um corpo. 

Por fim, a primeira vítima foi identificada como Frederick Santana dos Santos, de 30 anos. No momento da tragédia, ele estava no mercadinho ao lado do Edifício Andrea, onde descarregava um caminhão com garrafões de água.

Versão contestada

Pela dimensão e gravidade do desabamento, questionamentos quanto à estrutura e à idade do prédio também foram levantadas, tão logo a notícia do ocorrido se espalhou.

Em coletiva de imprensa, o presidente do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Ceará (Crea-CE), Emanuel Maia Mota, chegou a estimar que o residencial teria mais de 40 anos.

Entretanto, a Prefeitura de Fortaleza, por meio de sua assessoria, divulgou que a obra do prédio teria sido executada somente em 1995 e que descobriu a conversão da antiga residência em edifício apenas em 2013, quando exigiu o desmembramento do Imposto sobre a Propriedade Predial e Territorial Urbana (IPTU) para os 13 apartamentos. Ainda conforme a Prefeitura, havia até mesmo um registro de obra do edifício, datado de 1994, na Secretaria Municipal das Finanças (Sefin).

No dia seguinte, o Sistema Verdes Mares obteve, em primeira mão, um documento inscrito no cartório de registro de imóveis da 1ª Zona, em Fortaleza, lavrado em 6 de abril de 1982. Isso colocou por terra a versão da Prefeitura de que o edifício teria sido construído no local sem o seu conhecimento e que o imóvel não possuía nem mesmo o Habite-se, documento que atesta a execução da obra, conforme o projeto aprovado no Alvará de Construção, e que autoriza a utilização da edificação. Sendo assim, a construção não apresentaria irregularidades.  

Balanço

Ao longo dos três primeiros dias de resgate, o número de vítimas do desabamento também oscilou. Inicialmente, trabalhava-se com o dado de 18 pessoas envolvidas na tragédia, considerando as reclamações de familiares e amigos. Mas, na manhã da quarta-feira (16), o número foi atualizado para 20. Já ao fim do mesmo dia, o total de vítimas recuou para 17.

Outra divergência de informações diz respeito à própria identificação das vítimas. Até ontem (17), no fechamento desta edição, os órgãos oficiais não tinham divulgado a lista completa com os nomes dos moradores ou visitantes do prédio no dia do desabamento, tampouco a eventual relação de parentesco entre vítimas e sobreviventes.

A reportagem procurou a Defesa Civil para obter o balanço atualizado dos resgates, mas o órgão resumiu que quem divulga esses dados é o Corpo de Bombeiros. "Não estamos repassando nenhuma informação sobre resgate porque todo esse trabalho está sendo feito pelo Corpo de Bombeiros", afirmou a assessoria por telefone.