Confira cinco livros com histórias que trazem esperança

No universo literário, muitas são as narrativas capazes de driblar o peso de dias difíceis e injetar ânimo e coragem para seguir em frente

A pandemia do novo coronavírus não apenas modificou completamente a dinâmica do mundo, como também impactou nos sentimentos das pessoas. Diante de tantas dores, perdas e indefinições, tornou-se um desafio diário encontrar alegria e esperança no cotidiano.

Felizmente, o mergulho na arte neste momento pode proporcionar experiências com capacidade de transformar perspectivas, injetando doses de ânimo e vontade de superar os desafios.

O vasto campo da literatura, por exemplo, oferece inúmeras histórias cujo foco é trazer à tona trajetórias de determinação, coragem e fé, no presente e no futuro. Abaixo, confira a seleção que preparamos com cinco livros que abraçam essa temática. Inspire-se!

1- “A livraria mágica de Paris”, de Nina George (Editora Record, 2016)

Já que o assunto é livros, a lista começa com uma obra que exalta o poder deles. O romance conta a história de Jean Perdu, um livreiro parisiense que sabe exatamente o livro que cada cliente deve ler para amenizar os sofrimentos da alma. Assim, vende exemplares como se fossem remédios. Contudo, o único sofrimento que Jean não consegue curar é o próprio: uma desilusão amorosa que o atormenta há 21 anos. Sua amada partiu enquanto ele dormia, deixando apenas uma carta. Tudo muda quando, num verão, ele resolve sair do lugar em que mora para partir numa trajetória rumo à felicidade. Leitura prazerosa e repleta de detalhes, “A livraria mágica de Paris” é excelente pedida para acreditar num amanhã melhor e possível.

 

2- “Heroínas negras brasileira em 15 cordéis”, de Jarid Arraes (Pólen Livros, 2016)

A cearense Jarid Arraes é uma das vozes mais potentes da literatura brasileira contemporânea. Nesta obra, ela traz otimismo ao apresentar a trajetória de mulheres negras que, apagadas da história, inspiram pela força e capacidade de superação. São líderes quilombolas, escritoras e revolucionárias que sobreviveram a muitas tentativas de apagamento não só dos seus corpos, mas do legado que construíram, tornando-se referência na luta por um mundo mais justo e plural. Além de garantir leveza e um sorriso no rosto dos leitores por trazer à tona histórias tão vivas, a obra ainda nos conecta à tradição do cordel e enfatiza a necessidade de ir contra os silenciamentos provocados pelo racismo.

 

3- “Ideias para adiar o fim do mundo”, de Ailton Krenak (Companhia das Letras, 2019)

Presença na Bienal Internacional do Livro do Ceará, no ano passado, o pensador indígena Ailton Krenak traz, neste livro, a urgência de pensar a humanidade como algo integrado à natureza, capaz de reconhecer, por exemplo, que um rio que está em coma é também o nosso avô. Assim, a cada página, ele nos transporta para a ideia de que o reconhecimento da diversidade e a recusa da ideia do humano como superior aos demais seres podem ressignificar nossas existências e refrear a marcha insensata em direção ao abismo. Breve, mas de uma relevância enorme, a obra nos faz querer  experimentar, de forma consciente, o prazer de estar vivo, de dançar e de cantar.

 

4- “Meu quintal é maior do que o mundo”, de Manoel de Barros (Alfaguara, 2015)

Poesia para também fornecer esperança e acalanto. Nesta coletânea de poemas de um dos mais aclamados autores brasileiros, somos convidados a mergulhar num mundo de lembranças há muito esquecidas, especialmente do período da infância. Com uma linguagem atenta a modificar palavras, tornando-lhe dispositivos ainda mais especiais de encontro e partilha, Manoel de Barros desfaz os sentidos e realidades pré-estabelecidos que nos engessam para nos dar asas e voar onde ninguém chegou. Nestes tempos de reclusão, ler o poeta das miudezas é atestar que, de fato, um quintal pode ser maior que o mundo.

 

5- “Pode chorar, coração, mas fique inteiro”, de Glenn Ringtved e Charlotte Pardi (Companhia das Letras, 2020)

Uma das realidades mais difíceis que passamos a lidar com a pandemia do novo coronavírus diz respeito à frequência de mortes pela doença e o modo como passamos a nos despedir de entes queridos, distante dos moldes tradicionais. Este livro infantil – voltado, porém, para todas as idades, dada à profundidade de sua temática – fala, de maneira singela e poética, sobre como encarar a partida das pessoas que amamos. Quatro crianças descobrem um jeito quando a Morte aparece na casa da avó delas. Essa figura tão assustadora se mostra uma gentil admiradora da vida, mostrando aos pequenos a importância e a beleza de conseguirmos nos despedir de quem gostamos na hora que ela chegar. Um verdadeiro antídoto para encarar a existência de modo diferente e lidar com os desafios que ela impõe.