Antônio Sales

Escrito por Redação producaodiario@svm.com.br
25 de Junho de 2016 - 00:00

É sempre louvável rememorar valores culturais que já partiram para a eternidade. Um desses foi o extraordinário Antônio Sales, nascido no distrito de Parazinho, município de Paracuru, em 1868. Conquanto tímido e pudico, figura no topo da vida literária cearense, tendo liderado a Padaria Espiritual. Estreando como poeta, Sales posteriormente inclinou-se para a prosa, tendo produzido belos romances, como "Aves de arribação", brilhando também nacionalmente, posto ter convivido com Machado de Assis, Joaquim Nabuco e outros fundadores da Academia Brasileira de Letras. Sua morte em 1940 deixou imenso vazio no elenco literário cearense, tendo o filólogo Martins de Aguiar proclamado: "Faz horas apenas que fui deixar no seu jazigo aquele que, depois de José de Alencar e José Albano, é o maior escritor do Ceará de seca e de talento". A timidez de Antônio Sales é retratada por Aguiar na "Antologia cearense", de 1957, no belo trecho que passo a transcrever: "Na Livraria Garnier, no Rio, Machado de Assis levantou-se, certo dia, e convidou os demais acadêmicos para a sessão. Só Antônio Sales continuou sentado. - Ande, Sales! - disse-lhe o grande prosador, com impaciência. - Mas eu não sou acadêmico, Machado... - Ah! não é? Pois vales tanto que eu pensei que fosse - e tudo fez depois para pôr Sales na Academia, sem que o conseguisse. - Por que? - perguntei a Sales, que respondeu: - Eu tinha medo do discurso de recepção... Sou incapaz de produzir um discurso...

F. Silveira Souza

Advogado e escritor