uma semana para recuperar

Supermercados do CE: falta de produtos atinge 12% do estoque

Índice de ruptura nos supermercados, que mede as baixas nos estoques, corresponde ao 6º dia de paralisação

01:00 · 01.06.2018
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Supermercados se esforçam para restabelecer estoques aos poucos. No País, principais altas foram observados nos vegetais, nas frutas, verduras e legumes
Arte

O varejo supermercadista foi um dos setores que mais sofreu nos últimos dez dias com a paralisação dos caminhoneiros, que durou cerca de 10 dias. O cenário foi visualizado em todo o País, com maior ou menor força em algumas localidades. No estado do Ceará, apesar de a população ter amargado prateleiras e gôndolas vazias, a situação poderia ter sido ainda mais devastadora se não fosse a presença de um atacado robusto e de grandes indústrias fornecedoras localizadas na Capital e região metropolitana, segundo avaliação do economista e presidente da Gomes de Matos Consultoria, Eduardo Gomes de Matos.

O Estado apresentou uma taxa de ruptura - que é a falta de produtos nos supermercados - de 12,4% no dia 26 de maio, período de auge do movimento de paralisação dos caminhoneiros nas estradas. Com isso, o Ceará foi o 11º no ranking de ruptura nesses estabelecimentos considerando 22 unidades da Federação levantadas pela Neogrid em 25 mil supermercados espalhados pelo Brasil.

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Além do setor supermercadista, ele explica que toda a cadeia do turismo em todo o País ficou abalado com os impactos da paralisação dos caminhoneiros. "Os hotéis tiveram muitos cancelamentos para o último feriado. A taxa de ocupação caiu, derrubando toda a cadeia e a parte de restaurantes sofre com o movimento em queda. As pessoas ficaram com medo de enfrentar problemas de transporte, ficaram inseguras", detalha Eduardo Gomes de Matos.

Vendas

Com base em trabalho desenvolvido conjuntamente com o varejo supermercadista, ele aponta que o segmento perdeu 10% em vendas nos últimos dez dias. Com o forte desabastecimento, que começou afetando os itens mais perecíveis até corroer produtos menos perecíveis, repor os estoques e retornar aos níveis anteriores à greve levaria pelo menos uma semana, conforme Eduardo Gomes de Matos.

"Alguns alimentos foram mais prejudicados com a greve, como as frutas, verduras e legumes, que tiveram uma ruptura de 40% aqui no Ceará. Quando os supermercados conseguiam comprar o produto, ele era vendido a preços altíssimos, como é o caso da batata inglesa, que chegou a ser comercializada a preços altíssimos em estabelecimentos da Capital", explica Eduardo Gomes de Matos.

"Como consequência, o cliente também não levava, mas foi os preços que os supermercados conseguiram repassar. Tem supermercado que faz reposição até diária desses itens, então com uma greve de 10 dias acaba faltando muita coisa", analisa o presidente da Gomes de Matos Consultoria.

Além das frutas, verduras e legumes, o abastecimento de proteína animal teve ruptura de cerca de 30%. "Tem estabelecimento que trabalha com a carne congelada e outros trabalham com a carne resfriada, então a reposição em alguns desses locais é diária", diz.

Ele resume que os supermercados contam com um estoque que é bastante rotativo em relação a outros setores, o que contribuiu para que ele fosse o mais afetado pela paralisação. "Os supermercados têm um estoque que roda muito rápido em relação a outros setores, mas se a greve continuasse de forma intensa nos próximos dias, nós sentiríamos o impacto nos materiais de construção e nos veículos, sentiríamos bastante", ressalta.

Brasil

No País, a falta de produtos nos supermercados aumentou 21,3% entre os dias 22 e 26 de maio deste ano. No dia 26, a ruptura chegou a 8,6%. A principal baixa no período foi observada no feijão.

A falta do produto aumentou 140,1% após o dia 21 de maio, quando as paralisações estavam começando. Em segundo lugar ficaram os vegetais pré-preparados, com crescimento de 129,39% da ruptura. Em seguida, aparece a farinha de trigo (129,22%) e as frutas, legumes e verduras (107,6%).

Indústria

Ele destaca que, mesmo antes da paralisação dos caminhoneiros, o índice de ruptura da indústria já era um dos maiores nos últimos anos em decorrência da recessão econômica.

"Nós estamos vindo de uma recessão e as indústrias não estavam preparadas para essa retomada da economia". Para ele, a greve intensificou essa ruptura em todos os setores do varejo e da indústria no Brasil e, para que todos eles diminuam esse índice retomando os patamares de antes da paralisação dos caminhoneiros, seriam necessário entre 20 e 30 dias.

Refinaria

A vantagem de ter uma refinaria dentro de Fortaleza também amenizou a problemática do desabastecimento, de acordo com Gomes de Matos.

"Uma grande vantagem é ter uma refinaria dentro da cidade, então não foi necessário passar por estrada ou bloqueio. Por isso não vimos a falta de gasolina como em São Paulo", exemplifica ainda o economista e presidente da Gomes de Matos Consultoria.

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