PEÇAS MAIS MODERNAS

Ousadia e tecnologia são receitas para crescer

Estado concentra grandes marcas de lingerie que seguem se destacando no mercado nacional e internacional

Investindo pesado em áreas como publicidade, a Liebe Lingerie projeta crescer cerca de 20% até o fim deste ano. Hoje, a empresa produz 166 mil peças por mês
01:00 · 14.07.2018
Atualmente, a empresa cearense Delfa é líder nacional de bojos para underwear, beachwear e activewear. A empresa vende seus produtos para oito países

A crise econômica parece não ter chegado - pelo menos não tão fortemente - às empresas de moda íntima no Ceará. O Estado é celeiro de grandes marcas e se destaca por seguir e lançar tendências, bem como por se manter antenado ao que há de mais moderno no mercado.

É o caso da DelRio, que chega aos 50 anos posicionada entre as três maiores fabricantes de lingerie do Brasil. Além de criatividade, a marca mantém sua produção e gestão cada vez mais atreladas à tecnologia. "Nosso foco agora está bem voltado para a indústria 4.0, onde todos os nossos investimentos vão pra tecnologia, tanto nos produtos quanto dentro da operação. Lançamos, inclusive, uma linha 3D de lingerie, com tecido tecnológico, exclusivo da DelRio", detalha a diretora comercial da empresa, Luciana Grinstein.

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A DelRio conta com 20 unidades fabris e produz cerca de 70% de toda sua matéria-prima. Além disso, comercializa suas lingeries no Brasil e em vários países da América do Sul. O objetivo é fechar dezembro com um crescimento de dois dígitos sobre o avanço de 2017.

Do Ceará para o mundo

Líder nacional de bojos para underwear, beachwear e activewear, a Delfa Bojos atende a todo o Brasil e até oito países. Guiada pela tecnologia, a empresa lançou recentemente a linha evolution. De acordo com a gerente comercial da Delfa, Diana Murinelly, a coleção foi confeccionada a partir de técnicas e equipamentos diferenciados. "São produtos com espuma injetada e que vêm para revolucionar o mercado brasileiro". Registrando crescimento contínuo de vendas desde 2009, a meta é manter a tendência em 2018. "Pelo caminho que estamos indo, acreditamos que vamos fechar esse ano com um crescimento de pelo menos 10%", estima.

Há 25 anos no mercado cearense e atendendo a uma base de 6 mil clientes, a Dilady Lingerie conta com três unidades fabris, sendo uma delas especializada em bojos para abastecimento próprio. "É tudo automatizado. Temos uma tecnologia que chamamos de termofusão, usada na linha zero barriga. Ela permite uma compactação maior do tecido, para alcançar um poder de compressão maior", diz Márcio Pereira, diretor do grupo Dilady, detentor das marcas Love Secret e Doctor Secret, de produtos pós-cirúrgicos. O grupo gera cerca de 1.300 empregos (diretos e indiretos) e produz de 500 a 550 mil peças por mês.

Maquinário moderno

Com uma produção de 6 mil peças por dia, a Econfort Lingerie também lança novidades no mercado, integrando a inovação desde a idealização das peças à modernização do maquinário. "Produzimos cerca de 130 mil peças/mês, com as mais modernas máquinas e buscando sempre tendências de mercado e os melhores fornecedores", garante o diretor da Econfort, Rodrigo Lima.

De janeiro a maio de 2018, a Econfort registrou um crescimento de 18% em relação a igual período do ano passado. E lança mão de um mix de produtos para vender mais. Além da linha tradicional para o dia a dia das mulheres, a Econfort desenvolveu linhas materna, plus size e uma voltada exclusivamente para pré-adolescentes, com o conceito do primeiro sutiã.

"A lingerie é um produto que faz parte do dia a dia da mulher e, por ser a primeira peça da roupa, é difícil ter crise nesse ramo. Fora que a lingerie virou moda; para quem ficou só no básico (sobreviver no mercado) está complicado".

Produzindo cerca de 166 mil peças por mês, a Liebe Lingerie projeta crescer esse número em até 20% ao fim de 2018, com o auxílio da tecnologia e da publicidade. Esse ano, a empresa investiu cerca de R$ 2 milhões em uma campanha publicitária estrelada pela atriz Cléo Pires, conta o diretor-presidente da empresa, Cairo Benevides.

"O mercado cearense é artesanal e temos facilidade de fazer isso com facções terceirizadas. Mas investimos também em tecnologia e hoje todas as nossas máquinas são eletrônicas, sejam as que moldam bojo de microfibra ou as de corte a fio".

Para a gerente do Centro Internacional de Negócios da Fiec, Karina Frota, ousadia é a palavra que melhor define as empresas do segmento no Ceará, tendo em vista que estas "investem muito em adequação de tamanho, estilo, tecnologia e inovação". 

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