4ª Revolução Industrial: era das fábricas inteligentes já começou

A adoção da internet das coisas (IoT, na sigla em inglês) e da computação em nuvem nos processos fabris contribui para elevar a competitividade

00:00 · 10.06.2017 por Yohanna pinheiro - Repórter

O avanço da tecnologia chegou a tal ponto que, de acordo com especialistas, o planeta já experimenta uma nova revolução que vai impactar sobremaneira o setor produtivo e a sociedade como um todo. Marcada pela convergência de tecnologias digitais, físicas e biológicas, estudiosos afirmam que a chamada Quarta Revolução Industrial (ou Indústria 4.0) irá mudar o mundo como conhecemos.

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Criado na Alemanha, o conceito de Indústria 4.0 surgiu como um programa governamental para promover a automatização de processos industriais e, dessa forma, aumentar a produtividade e a competitividade no mercado internacional por meio de fábricas inteligentes. A chave para isso seria a adoção da internet das coisas (IoT, na sigla em inglês) e da computação em nuvem nos processos fabris.

"Tudo será integrado em um ecossistema impulsionado por big data e também, particularmente, pela estreita cooperação dos governos com a iniciativa privada. A evolução do mercado virá aceleradamente, será como um tsunami. E, na verdade, não é apenas uma revolução digital, é claro, mas também física e, com a nanotecnologia, biológica", explica Klaus Schwab, presidente e fundador do Fórum Econômico Mundial.

A chamada internet das coisas consiste em uma infraestrutura de rede que interliga objetos físicos e virtuais, com tecnologia capaz de comunicar, sentir ou interagir com ambientes internos e externos, desencadeando ações de comando e controle. Um exemplo seria uma geladeira inteligente capaz de detectar a ausência de leite e, automaticamente, por meio da internet, solicitar a compra do produto em um supermercado pré-determinado.

Eficiência operacional

Aplicada ao segmento industrial (IIoT), a internet das coisas tem o potencial de melhorar a eficiência operacional, proporcionando maior redução de custos, aumento de produtividade, melhoria de produtos e abertura de mercado. As informações são do relatório Indústria 4.0: internet das coisas, lançado em 2016 pelo Sistema Firjan (Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro), que analisa o impacto dessas novas tecnologias.

O documento destaca que, somente no segmento de manufatura e linha de produção, o valor da internet das coisas poderá ser potencializado com a aplicação da tecnologia na otimização das operações, na manutenção preventiva e na otimização de estoques. Um estudo da consultoria McKinsey, de 2015, aponta que este panorama pode alcançar um valor mundial de US$ 1,2 trilhões a US$ 3,7 trilhões por ano em 2025.,

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Outra pesquisa, realizada com 20 países pela Accenture (2015), mostra que o Produto Interno Bruto (PIB) mundial aumentará US$ 10,6 trilhões com o impacto da IIoT em 2030, caso esses países mantenham as mesmas políticas e investimentos atuais. Já se estas nações direcionarem seus investimentos para absorção de tecnologia para IIoT, essa estimativa subirá para US$ 14,3 trilhões. Conforme o relatório, no Brasil ainda pode ser visto um cenário embrionário para absorção e difusão da internet das coisas, não havendo ainda uma política própria direcionada para o segmento. Por outro lado, com um financiamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), a consultoria McKinsey deve entregar, até o fim do ano, um estudo para embasar um plano nacional de internet das coisas.

Inovação

No Estado, embora não direcionado especificamente para a questão da IoT, a Federação das Indústrias do Estado do Ceará (Fiec) criou o Conselho Temático de Inovação e Tecnologia para, segundo o presidente do colegiado, Sampaio Filho, aproximar o setor produtivo, o governo e a academia. "Esse ambiente leva a discussões de inovação, com um modelo para trabalhar startups, aceleradoras, incubadoras, enfim, tudo voltado para a indústria", explica.

Para o presidente, essa iniciativa irá proporcionar grande desenvolvimento para o setor industrial cearense. "Entre os impactos, prevemos o aumento da produtividade, um ganho muito grande da competitividade das nossas indústrias e que a gente comece a se colocar em um patamar melhor entre outros estados em termos de competitividade", aponta. No último dia 2, o Estado liberou financiamento de R$ 6 milhões para projetos inovadores cearenses, beneficiando 22 empresas, aprovadas por seleção, no edital 05/2016 - InovaFit Fase 2. Entre as beneficiadas, muitas trabalham com a internet das coisas voltadas para diversos segmentos, inclusive para os setores industrial e agropecuário, oferecendo soluções inovadoras que podem impulsionar o Estado a essa nova ordem mundial.

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