Viver de débito é sina de milhares de brasileiros

Escrito por Gregório José producaodiario@svm.com.br
05 de Agosto de 2025 - 06:00
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Legenda: Gregório José é jornalista

Hoje escrevo sobre um drama nacional que escancara, sem filtro, as vísceras do nosso modelo econômico: a inadimplência. Uma palavra tão técnica, quase asséptica, mas que carrega o peso insuportável do desespero de milhões de brasileiros.

Segundo dados da CNDL e do SPC Brasil, os vilões que conduzem as famílias ao labirinto do endividamento são, em ordem: o cartão de crédito, os empréstimos e o crediário. Instrumentos criados para dar fôlego ao consumo, mas que, mal utilizados — e pior ainda, mal regulados — se transformam em armadilhas com juros de agiota institucionalizado.

Estamos falando de um país onde a sobrevivência exige crédito. Onde o cidadão precisa parcelar até o arroz com feijão. Onde a água, a luz e a internet — direitos básicos numa sociedade moderna — disputam lugar no orçamento com as faturas que se multiplicam e nunca somem.

A pesquisa mostra que as contas mais pagas são aquelas que, se cortadas, cortam também a dignidade: a internet, que virou ferramenta de trabalho, e a luz, sem a qual não se cozinha, não se estuda, não se vive. Mas e o restante? A educação vira boleto empoeirado. A moradia vira dívida arrastada por anos.

O que se espera de um Estado que cobra tanto e oferece tão pouco? Onde está a política pública que alfabetize financeiramente a população, sim, mas que também regule a selva dos juros abusivos?

Educação financeira é essencial — e urgente — mas ela não pode ser usada como biombo para esconder a omissão do poder público diante da desigualdade. O brasileiro não precisa só de planilha: ele precisa de renda justa, de crédito consciente, de um sistema que jogue a favor do cidadão — e não contra ele.

Porque no Brasil, pagar em dia virou luxo. E viver com dignidade, um privilégio.

Viver de débito é sina de milhares de brasileiros. Hoje quero falar de um drama nacional que escancara, sem filtro, as vísceras do nosso modelo econômico: a inadimplência. Uma palavra tão técnica, quase asséptica, mas que carrega o peso insuportável do desespero de milhões de brasileiros.

Segundo dados da CNDL e do SPC Brasil, os vilões que conduzem as famílias ao labirinto do endividamento são, em ordem: o cartão de crédito, os empréstimos e o crediário. Instrumentos criados para dar fôlego ao consumo, mas que, mal utilizados — e pior ainda, mal regulados — se transformam em armadilhas com juros de agiota institucionalizado.

Estamos falando de um país onde a sobrevivência exige crédito. Onde o cidadão precisa parcelar até o arroz com feijão. Onde a água, a luz e a internet — direitos básicos numa sociedade moderna — disputam lugar no orçamento com as faturas que se multiplicam e nunca somem.

A pesquisa mostra que as contas mais pagas são aquelas que, se cortadas, cortam também a dignidade: a internet, que virou ferramenta de trabalho, e a luz, sem a qual não se cozinha, não se estuda, não se vive. Mas e o restante? A educação vira boleto empoeirado. A moradia vira dívida arrastada por anos.

O que se espera de um Estado que cobra tanto e oferece tão pouco? Onde está a política pública que alfabetize financeiramente a população, sim, mas que também regule a selva dos juros abusivos?

Educação financeira é essencial — e urgente — mas ela não pode ser usada como biombo para esconder a omissão do poder público diante da desigualdade. O brasileiro não precisa só de planilha: ele precisa de renda justa, de crédito consciente, de um sistema que jogue a favor do cidadão — e não contra ele.

Porque no Brasil, pagar em dia virou luxo. E viver com dignidade, um privilégio.

Gregório José é jornalista