Vanderlan e sua história

Aos onze anos apenas, Vanderlan, o filho mais velho, sai com a mãe, à noite, para vender as pastilhas

Escrito por Gilson Barbosa producaodiario@svm.com.br
27 de Julho de 2026 - 06:00
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Legenda: Jornalista

Terça-feira, 14 de julho, início da noite. Após assistirmos à semifinal da Copa do Mundo, na qual a França de Mbappé, para tristeza de seus compatriotas, foi eliminada da decisão do título justamente na passagem do dia mais importante da história francesa, saímos para um lanche. Pouco antes de deixarmos o estabelecimento, de repente fomos abordados por um garotinho. Seu nome, Vanderlan. Sua idade, 11 anos, completados exatamente naquele dia. Falando baixinho, timidamente, de modo a não chamar a atenção dos funcionários da hamburgueria onde estávamos, perguntou-nos se queríamos comprar uma caixinha de pastilhas, para ajudá-lo no sustento de sua família.

Disse-nos que sua mãe se encontrava no estacionamento do local, juntamente com seu único irmão, o pequeno Jesus, de apenas três anos, porque era-lhes proibido o acesso, sob o argumento de que importunariam os clientes. Em seguida, ao ver sobre a mesa o cardápio de hambúrgueres, Vanderlan nos indagou se poderíamos comprar um daqueles sanduíches para ele. Só então nos contou que aniversariava naquele dia e que, até aquele momento, não havia almoçado. Comovidos, compramos então um lanche para ele. O garoto, enquanto aguardava, com muita ansiedade, a chegada do hambúrguer, batatas fritas e do refrigerante, falou-nos um pouco sobre sua vida.

Aos onze anos apenas, Vanderlan, o filho mais velho, sai com a mãe, à noite, para vender as pastilhas. Disse-nos que seu pai trabalha, mas que o salário dele não é suficiente, sozinho, para manter a família. Daí, sua mãe, ainda relativamente jovem, deixa a casa, no bairro da Parangaba, com os dois filhos, para tentar conseguir mais algum dinheiro e, assim, ajudar nas despesas. O garotinho, já mais expansivo em sua fala, contou-nos que é aluno do quinto ano do Ensino Fundamental, numa escola pública do município. Gosta de estudar, sempre tirando boas notas.

Porém, por ser gordinho, costuma ser alvo de bullying por parte de seus colegas, e se queixa das provocações que recebe. Mesmo assim, suporta com resiliência as brincadeiras de mau gosto, mantendo bom comportamento. Na saída da hamburgueria, contou-nos que sua mãe gostaria de nos conhecer e fomos até o estacionamento. Ela confirmou tudo o que a criança nos contou e disse ainda que costuma empenhar, com frequência, um aparelho celular simples que possui para comprar as pastilhas que ela e o primogênito vendem às pessoas, nas ruas de Fortaleza.

Ao deixá-la no local, despedindo-nos, particularmente me emocionei, pensando na situação concreta de dificuldade e carência pela qual ainda passam tantas famílias humildes, como a de Vanderlan, nesta cidade e neste país de tantas desigualdades… Que Deus os abençoe, proteja, inspire e os mantenha sempre neste caminho difícil, contudo correto, da luta honesta pela vida!