Durante recente viagem feita ao Rio de Janeiro, eu e minha esposa visitamos o belo prédio do Real Gabinete Português de Leitura. Não se pode fazer turismo cultural sem ir àquela importante instituição. Situado no centro da capital fluminense, o Real Gabinete ocupa uma edificação de grande beleza arquitetônica, na Rua Luís de Camões, 30. Logo à entrada, os visitantes podem admirar, na praça defronte ao prédio, um busto do maior poeta português, Luís de Camões (c. 1524 – 1579 ou 1580), voltado para a direita, “olhando” o edifício. E, ao adentrar suas instalações, são atraídos pelas prateleiras repletas de obras raras, clássicas e/ou contemporâneas somente de escritores lusitanos.
De fato, o edifício é imponente, com colunas onde detalhes dourados se alternam com cores mais escuras, convidando os turistas a se envolverem com o ambiente no qual a história da literatura portuguesa adquire importância especial. O acervo bibliográfico do Real Gabinete Português de Leitura é riquíssimo, pois reúne a maior e melhor biblioteca de autores daquela nação fora de seu território, cerca de 350 mil volumes. Além dos livros físicos, esse mesmo acervo está, hoje, completamente informatizado, assegurando a perpetuação do riquíssimo patrimônio ali conservado.
As origens dessa importante, mas pouco divulgada instituição cultural, remontam a 14 de maio de 1837, quando um grupo de 43 imigrantes portugueses que viviam no Rio, então capital do Império, reuniu-se para criar uma biblioteca. Assim, poderiam ampliar seus próprios conhecimentos e dar a mesma oportunidade a outros portugueses ali residentes. A atual sede, projeto do arquiteto português Rafael da Silva Castro e construída em estilo neomanuelino, evoca a maior obra de Camões, “Os Lusíadas”. Envolve-nos pelo encanto de suas coleções e a beleza do conjunto.
Uma bela claraboia oferece ao prédio a iluminação natural ao longo do dia, integrando-se ao majestoso cenário. Além dos livros raros, há ainda um rico acervo artístico, composto por outra bela estátua em homenagem a Camões, bem como bustos menores de outros famosos escritores portugueses como Eça de Queirós, Ramalho Ortigão e Alexandre Herculano. O Real Gabinete abriga ainda a biblioteca do jornalista brasileiro Paulo Barreto, mais conhecido pelo pseudônimo de João do Rio (1881-1921), doada por sua mãe após sua morte, e recebe importante apoio da fundação cultural portuguesa Calouste Gulbenkian.
A instituição é beneficiada pelo decreto no. 25.134, de 15 de março de 1935, do governo de Portugal, que lhe concede o benefício de receber, de todos os editores daquele país, um exemplar das obras por eles impressas. Tal medida permite uma atualização constante da biblioteca, até hoje, em termos de tudo o que é editado na nação portuguesa. Há muito a ser comentado sobre o Real Gabinete Português de Leitura, que nos surpreendeu e merece ser mais conhecido e divulgado. Realmente, vale a pena!