No ar em horário nobre (21h), a telenovela “Quem ama cuida” tem tratado de temas atuais e relevantes como o drama de quem sofre de fibromialgia (personagem Elisa, vivida pela atriz Isabela Garcia), dilemas pessoais e familiares de quem se dá conta da própria homoafetividade (personagem Maurício, interpretado por João Victor Gonçalves), vício em jogos de azar (empresário Ulisses, papel cumprido pelo ator Alexandre Borges) e reconstrução da vida e da carreira após deixar o sistema prisional (a protagonista Adriana, interpretada com maestria pela atriz Letícia Colin).
A teledramaturgia cumpre importante papel ao promover não apenas entretenimento, mas a reflexão dos telespectadores sobre questões que demandam novos olhares (pessoais, empresariais e governamentais) e um repensar em torno de preconceitos que mais refletem ignorância (desconhecimento) e perpetuam sofrimentos e estigmas que há tempos deveriam estar extirpados das vidas, mentes e corações humanos.
A discriminação vivida por trabalhadores egressos do sistema prisional é uma realidade que desafia instituições públicas, empresas privadas e organizações não governamentais. Segundo dados divulgados pelo Conselho Nacional de Justiça-CNJ, 75,53% das pessoas privadas de liberdade não trabalham e 43,88% dos que trabalham não recebem nenhum tipo de remuneração.
Conforme o Ministério da Justiça e Segurança Pública, há no Brasil mais de 960,9 mil pessoas privadas de liberdade, das quais 727,3 mil em unidades prisionais, 29,8 mil em prisão domiciliar com monitoramento eletrônico e 103,2 mil em prisão domiciliar sem monitoramento. Em comum a todas, a certeza de que a educação (qualificação) e o trabalho são os caminhos e a esperança de uma reintegração à sociedade e de uma vida melhor, mas que a oportunidade de emprego, pós-prisão, é um desafio colossal.
Em relação à qualificação e oferta de trabalho decente no âmbito das prisões, o CNJ, em parceria com o Supremo Tribunal Federal, o Tribunal Superior do Trabalho e outras entidades, vem desenvolvendo o Programa Pena Justa (Plano Nacional para o Enfrentamento do Estado de Coisas Inconstitucional nas prisões brasileiras). O acolhimento no mercado de trabalho dos trabalhadores egressos desse sistema, porém, é a etapa que ainda requer mais abertura e supereração de preconceitos.