Trabalho e diversidade na empresa

Sim, a sociedade brasileira contemporânea é diversa. Nada mais natural, portanto, que a empresa retrate fielmente, no seu ambiente, esta diversidade

Escrito por Valdélio Muniz producaodiario@svm.com.br
17 de Agosto de 2026 - 06:00
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Legenda: Advogado

Imagine um ambiente de trabalho em que se encontram empregados negros e brancos, homens e mulheres, heterossexuais, gays, lésbicas, transexuais, jovens, adultos e idosos, obesos e esbeltos, pessoas com deficiência (PCDs), ateus, católicos, evangélicos e seguidores de religiões de matriz africana. Para alguns menos avisados (ou preconceituosos), pode parecer “estranho”. Mas, é o melhor retrato que uma empresa pode apresentar ao seu público.

Sim, a sociedade brasileira contemporânea é diversa. Nada mais natural, portanto, que a empresa retrate fielmente, no seu ambiente, esta diversidade. Porém, não pode se tratar de mera jogada de marketing ou de modismo passageiro. Trata-se da valorização da mão de obra e dos potenciais que cada um tem a oferecer, sem discriminação de qualquer natureza, como exemplo a ser seguido e valorizado por toda e qualquer pessoa (física ou jurídica) sensata.

E, mais do que isso: favorece um ambiente de trocas recíprocas, de compartilhamento de diferentes perspectivas e de crescimento coletivo. Permite aos próprios trabalhadores, gestores e donos das empresas desconstruir estereótipos que apenas revelam a ignorância do senso comum e impõem barreiras indevidas ao acesso ao emprego ou à promoção para funções de chefia e gerenciamento. Oportunidade é tudo que muitos precisam para aprender e evoluir.

É fato que a diversidade no trabalho favorece o chamado “employer branding” (marca empregadora), que remete ao fortalecimento da reputação da empresa no mercado e seus “stakeholders” (partes interessadas), isto é, aqueles que integram sua rede de relacionamento (empregados, fornecedores, clientes etc). Mas, pode se tornar também uma fonte de conflitos se a diversidade for adotada apenas como estratégia de marketing, sem que o seu verdadeiro sentido esteja claramente assimilado como parte da cultura organizacional e de quem a integra.

Uma vez que o quadro funcional da empresa se identifique em sua diversidade e se sinta reconhecido e valorizado, o empregador, independentemente da imposição de cotas, tende também a se beneficiar pela redução da rotatividade de sua mão de obra (“turnover”), pelo engajamento de seus profissionais e pela retenção de talentos. E, inegavelmente, ganham todos: empregados, empresas, clientes e sociedade. Em pleno século XXI, será pedir muito?

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