A avenida Beira-Mar se transforma novamente neste domingo (28) em um mar de gente e cores com a 25ª Parada pela Diversidade Sexual do Ceará, que alcança o jubileu de prata consolidada como uma das maiores manifestações de direitos humanos do Nordeste, reunindo 1,5 milhão de pessoas. Esse resultado se deve ao compromisso do Grupo de Resistência Asa Branca (Grab), que em 2026 celebra 37 anos de existência. Uma atuação que é a memória viva da cidadania LGBTQIA+. Mas engana-se quem vê na Parada apenas uma festa. Ela é, fundamentalmente, um ato político.
O cenário atual exige alerta. Este ano, a Parada de São Paulo, com três décadas de existência, enfrentou graves ataques, tentativas de esvaziamento e boicotes que escancararam o avanço do conservadorismo. No Ceará, a realidade não é diferente. Ano após ano, o evento sofre para garantir sua realização. Em 2026, a ausência do empresariado privado segue gritante: a Parada só ganha às ruas graças ao apoio institucional do poder público municipal e estadual. O mercado, que adora pintar suas marcas de arco-íris em junho, some na hora de financiar a estrutura que celebra nossas vidas e reivindica nossos direitos.
Essa omissão revela uma hipocrisia econômica inaceitável. Dados da Câmara de Comércio e Turismo LGBT do Brasil apontam que o segmento injetou cerca de R$ 600 bilhões na economia nacional em um único ano, movimentando viagens, eventos, gastronomia e entretenimento. Com a Parada, movimentamos mercados e hotelaria, gerando milhões. Se nosso dinheiro aquece o turismo de Fortaleza, por que o apoio some na hora de fortalecer nossa voz? É urgente ver quem caminha conosco na luta por dignidade e quem apenas lucra com a nossa existência!
Celebrar 25 anos de Parada no Ceará e 37 de Grab é lembrar que nenhum direito nos foi dado. Todos foram conquistados à base de muita luta. Nós sabemos fazer política! Se uma travesti e um gay estão prestes a transformar a escala de trabalho no país, imagina o que uma parada inteira pode fazer! Apoiar essa causa não pode ser um ato sazonal de marketing, mas um compromisso real com as políticas públicas e o combate às LGBTfobias.
Diante do silêncio covarde de quem nos explora economicamente, mas nos vira as costas politicamente, o questionamento se faz necessário: a luta é nossa mesmo? Quem cabe nesse "nós"? Para o leque bater, tem que respeitar as caras!
Labelle Rainbow é ativista