Sobreviver a um narcisista

Escrito por Dilce Cândido producaodiario@svm.com.br
08 de Julho de 2026 - 06:00
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Legenda: Dilce Cândido é executiva Financeira

Sobreviver a um narcisista é como atravessar um deserto emocional sem saber onde estará o próximo oásis. É aprender a conviver com palavras que ferem, culpas inexistentes, silêncios que castigam e atitudes que fazem a vítima duvidar de si mesma. Aos poucos, a autoestima vai sendo consumida e a alma se cansa de lutar.

Mas existe uma força que nem a manipulação, nem a frieza e nem o egoísmo conseguem destruir: a fé em Deus. É a certeza de que estamos sendo conduzidos por algo maior.

A espiritualidade tornou-se meu abrigo. Nas preces encontrei respostas que o mundo não podia me dar. No silêncio da alma, descobri que Deus nunca abandona aqueles que sofrem e que alimentam um pouco de esperança.

Sobreviver a um narcisista não significa apenas permanecer vivo. Significa preservar a essência, proteger o coração e não permitir que a maldade do outro apague a nossa própria luz.

Foram muitos anos de aprendizado. Aprendi que pessoas narcisistas tentam controlar tudo, mas não podem controlar aquilo que está entregue nas mãos de Deus.

Aprendi que o perdão não é esquecer o que aconteceu, mas libertar-se do peso da dor. Com o tempo, compreendi que o maior castigo de quem escolhe machucar o outro é viver aprisionado à própria forma de existir. Foi essa compreensão que me permitiu seguir em frente.

Em muitos momentos pensei que não conseguiria continuar. Porém, cada vez que minhas forças acabavam, a fé me levantava. Surgia dentro de mim uma força maior, que me impulsionava a levantar e seguir.

Deus me ensinou que sobreviver também é renascer. É descobrir que, depois de anos de sofrimento, ainda existe esperança, ainda existe amor e ainda existe uma vida inteira esperando para ser vivida.

Sobreviver a uma criatura assim durante anos foi uma das maiores batalhas da minha vida, mas também a prova de que a presença de Deus pode sustentar alguém mesmo nos períodos mais escuros.

Quando tudo parecia perdido, a espiritualidade me lembrou de algo essencial: ninguém pode destruir uma alma que permanece de joelhos diante de Deus e de pé diante da vida.

Dilce Cândido  é executiva Financeira