A regulação da atividade do assessor de investimentos existe no Brasil desde os anos 1960. Antes conhecido pela denominação de Agente Autônomo de Investimentos, o profissional passou a ser chamado de assessor de investimentos após a mudança regulatória conduzida pela CVM em março de 2022.
A atividade em si também mudou bastante com o tempo. Deixou de ser apenas uma porta de entrada do investidor para o mercado de capitais; hoje, a assessoria tem como eixo central o planejamento financeiro. Ela ajuda os investidores a entenderem, de forma profunda, suas receitas, custos e necessidades, traçando planos para atingir metas e realizar sonhos. É uma mudança radical na profissão, mas muitos clientes ainda não entenderam isso. E a culpa é nossa, dos assessores de investimentos.
Trabalho no mercado financeiro desde 2003 e confesso que vi poucas novidades até 2020. Quem trabalhou no front comercial de grandes bancos sabe do que estou falando. Atendíamos clientes que nos falavam sobre seu perfil de risco e sua capacidade de poupança. A partir daí, a gente estimava uma rentabilidade-meta, calculava a volatilidade provável para chegar lá, montava as carteiras com as poucas alternativas à disposição e, todo mês, apresentávamos relatórios, fazendo alguns ajustes na carteira aqui e ali.
Era isso. Parecia difícil: sempre havia alguma classe de ativo que atrapalhava, o Ibovespa estava sempre barato, as metas de captação e receita dos bancos sempre cresciam, os bônus por performance da equipe ficavam sempre abaixo das expectativas e íamos remando... Não mais. A partir da pandemia, tudo mudou.
Volatilidade de verdade, risco sistêmico mundial, todas as premissas colocadas de cabeça para baixo. Mas não foi só isso: desde então, a videoconferência passou a ser a coisa mais comum do mundo, a mobilidade de trabalho e o home office viraram pauta e passamos a contar com a inteligência artificial como ajudante.
O mercado se sofisticou, as plataformas se modernizaram, investir no exterior tornou-se fácil, reformas tributárias chacoalharam os planejamentos e o cliente se viu imerso em um mar de ruídos. Quem imaginava que a atividade de assessoria seria substituída pelo autoatendimento somado à IA se enganou redondamente: nunca foi tão importante ser bem assessorado.
Para além do aumento de complexidade do universo de investimentos (que agora inclui BDRs, ETFs e criptoativos, só para dar alguns exemplos), novas soluções de crédito, seguros e consórcios também ficaram disponíveis, o que demanda mais conhecimento técnico e acompanhamento regulatório.
Para quem ainda tem dúvida sobre qual é o papel do assessor de investimentos, tento deixar claro: ajudar os clientes a atingirem seus objetivos. E não estou falando apenas de objetivos financeiros. Quando um cliente me diz que gostaria que o filho estudasse em uma universidade no exterior ou que precisa garantir estrutura de saúde e acolhimento para os pais, isso perpassa um simples número em uma planilha ou relatório.
Uma boa assessoria garante que o investidor não tome as piores decisões, ajuda a controlar as emoções em momentos de turbulência no mercado e a fazer aquela conta de custos e despesas que ninguém quer, mas precisa fazer. Nosso escopo de trabalho é centrado no planejamento, não em entregar 2% a mais do CDI. É ser o profissional com quem você quer falar antes de tomar qualquer decisão que envolva o patrimônio de sua família.
Assim como um bom médico ou advogado, o assessor virou um profissional fundamental na história de vida dos clientes, atendendo, inclusive, a mais de uma geração da mesma família. Uma assessoria bem-feita transforma a vida das pessoas para melhor: diminui a ansiedade e traz mais tempo para que você acompanhe seus filhos, conheça o mundo ou foque em seus próprios desafios profissionais.
Minha visão pode até soar enviesada, mas insisto em lhe fazer uma pergunta direta: de quantas experiências, momentos em família ou horas de sono você está abrindo mão ao tentar cuidar de tudo sozinho?
Existem excelentes profissionais prontos para simplificar a sua vida financeira. Afinal, o maior luxo que o seu dinheiro pode comprar não é uma rentabilidade de curto prazo, mas a liberdade de focar 100% naquilo que realmente importa para você.
Pedro Pessoa é empreendedor