Saúde bucal: cuidar hoje para sorrir melhor amanhã

A tecnologia não substitui a prevenção. Ela representa uma importante aliada quando o paciente já precisa de uma intervenção, mas o melhor cenário continua sendo preservar os dentes naturais pelo maior tempo possível

Escrito por Davi Cunha producaodiario@svm.com.br
16 de Outubro de 2026 - 06:00
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Legenda: Cirurgião dentista

Falar sobre saúde bucal é falar também sobre qualidade de vida. Embora muitas vezes seja associada apenas à estética, a conservação dos dentes interfere diretamente na alimentação, na fala, na autoestima e na própria rotina das pessoas. Por isso, cuidar da boca não deveria ser uma preocupação que começa apenas quando surge uma dor ou quando a perda de um dente se torna inevitável.

Os dados do levantamento epidemiológico SB Brasil ajudam a mostrar a importância dessa mudança de perspectiva. Entre as crianças brasileiras de 5 anos, 53,17% estão livres de cárie na dentição de leite. O resultado representa um avanço importante e reforça a relevância das ações de prevenção e do acompanhamento odontológico desde os primeiros anos de vida.

Ao mesmo tempo, o cenário entre os idosos revela um desafio que não pode ser ignorado. No Ceará, pessoas de 65 a 74 anos apresentam média de 24 a 27 dentes cariados, perdidos ou obturados, sendo mais de 90% desse índice relacionado a dentes perdidos. São números que ajudam a compreender como problemas bucais acumulados ao longo de décadas podem chegar à terceira idade com consequências significativas.

A perda dentária não deve ser tratada como uma consequência natural do envelhecimento. Ela frequentemente está relacionada a um histórico de cáries, doenças periodontais e falta de acompanhamento adequado. Quando um dente é perdido, o impacto pode ultrapassar a questão estética. Alterações na mastigação podem dificultar a alimentação, enquanto mudanças na fala e na aparência também podem afetar a autoestima e a vida social.

É justamente por isso que a prevenção precisa acompanhar o indivíduo durante todas as fases da vida. A infância é um momento fundamental para a criação de hábitos, mas não existe uma idade em que os cuidados odontológicos deixam de ser necessários. Escovação adequada, uso do fio dental, alimentação equilibrada e consultas regulares são medidas simples que podem evitar problemas mais complexos no futuro.

Para quem já apresenta perda dentária, a odontologia também evoluiu. A incorporação de ferramentas digitais, como scanners intraorais, tomografias computadorizadas e softwares de planejamento, permite maior previsibilidade em tratamentos de reabilitação oral. Esses recursos auxiliam o profissional na avaliação de cada caso e no planejamento de procedimentos de forma mais individualizada.

No entanto, a tecnologia não substitui a prevenção. Ela representa uma importante aliada quando o paciente já precisa de uma intervenção, mas o melhor cenário continua sendo preservar os dentes naturais pelo maior tempo possível.

O Dia Nacional da Saúde Bucal, celebrado em 25 de outubro, é uma oportunidade para ampliar essa discussão. Mais do que lembrar a importância de visitar o dentista, a data deve estimular uma mudança de comportamento: a saúde bucal precisa ser entendida como parte da saúde integral.

Se queremos que as próximas gerações cheguem à terceira idade com mais qualidade de vida, precisamos começar os cuidados muito antes de aparecerem os primeiros sinais de perda. O sorriso saudável do futuro é resultado das escolhas e dos cuidados que começam hoje.

 

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