Quem vai pagar suas contas amanhã?

A resposta começa com três decisões fundamentais. A primeira é descobrir quanto custa a vida que você deseja manter: identificar despesas, projetar a inflação e calcular a renda mensal necessária no futuro

Escrito por Anne Magalhães producaodiario@svm.com.br
29 de Outubro de 2026 - 06:00
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Legenda: Consultora em Planejamento Financeiro


Imagine chegar aos 65 anos e descobrir que a renda disponível já não é suficiente para manter o padrão de vida que você levou décadas para construir. Parece distante? Talvez por isso seja tão fácil adiar essa preocupação.

Uma pesquisa da Icatu Seguros em parceria com a Conversion, divulgada pelo InfoMoney, revelou que 92% dos entrevistados acreditam que o INSS não será suficiente para garantir estabilidade financeira na aposentadoria. Mais preocupante: 95% afirmam não ter recursos suficientes para se aposentar.

Os números revelam uma contradição: sabemos que precisamos nos preparar, mas continuamos adiando essa decisão. O pesquisador Hal Hershfield, da Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA), estuda nossa relação com o chamado “eu futuro”. Suas pesquisas sugerem que, quanto mais distante essa pessoa nos parece, mais difícil é abrir mão de uma satisfação imediata para beneficiá-la. É como se deixássemos a responsabilidade para outra pessoa. O problema é que essa pessoa também seremos nós.

O INSS desempenha um papel fundamental de proteção social, mas receber uma aposentadoria não significa conseguir manter o padrão de vida construído ao longo dos anos. Talvez seja preciso mudar nossa maneira de pensar: aposentadoria não é apenas parar de trabalhar, mas conquistar a liberdade de continuar trabalhando por escolha, e não por necessidade.

Imagine um profissional de 40 anos, com renda mensal de R$ 15 mil, que sustenta sua família, moradia, saúde, lazer e educação dos filhos. Quanto dessa renda estará disponível aos 65 anos? E quanto custará manter o mesmo padrão de vida daqui a 25 anos?

A resposta começa com três decisões fundamentais. A primeira é descobrir quanto custa a vida que você deseja manter: identificar despesas, projetar a inflação e calcular a renda mensal necessária no futuro. A segunda é aprender a se pagar primeiro. Normalmente, recebemos, pagamos as contas, assumimos compromissos e só depois tentamos guardar o que sobra. O problema é que quase nunca sobra.

Já a terceira, é avaliar se seus investimentos realmente trabalham pela sua aposentadoria, porque ter investimento não significa ter um planejamento. Previdência privada, Tesouro Direto, CDBs e outros investimentos possuem características distintas de risco, tributação e liquidez.

Há ainda um cuidado indispensável: construir uma reserva de emergência e proteger a renda durante os anos de trabalho. Afinal, não podemos planejar os próximos 30 anos ignorando os imprevistos de amanhã.

Aos 30 anos, o tempo é um grande aliado. Aos 40, ainda há oportunidades importantes. Aos 50, talvez sejam necessárias escolhas mais intensas. Mas, em qualquer idade, adiar significa abrir mão de alternativas.

No fim, a pergunta não é apenas com quantos anos você pretende parar de trabalhar, mas quanto precisará receber todos os meses para continuar vivendo com dignidade quando o trabalho deixar de ser sua principal fonte de renda. E, sobretudo, o que você está fazendo hoje para cuidar da pessoa que será amanhã?

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