A pergunta pode parecer provocativa, mas tornou-se necessária. A internet deixou de ser apenas uma ferramenta utilizada pelas novas gerações. Ela passou a ocupar um espaço significativo na formação de opiniões, comportamentos, relações e desejos de crianças e adolescentes.
A recente pesquisa Adolescência sem Filtro, realizada pelo Instituto Alana em parceria com a Agência Koga, revela uma geração que não deseja abandonar a internet, mas quer uma relação mais saudável com ela. Entre os 505 adolescentes de 13 a 17 anos entrevistados, 71% afirmam que a internet deve continuar existindo, mas precisa mudar. Ao mesmo tempo, metade diz passar mais tempo online do que gostaria e 41% se sentem mais dependentes do celular.
Há um dado revelador: a internet também produz sentimentos positivos. Diversão, felicidade e curiosidade fazem parte dessa experiência. O problema começa quando a conexão deixa de ser uma escolha e passa a disputar permanentemente a atenção do adolescente.
É nesse ponto que precisamos olhar para além do tempo de tela. O que nossos filhos estão aprendendo enquanto estão conectados? Com quem estão conversando? Que conteúdos estão recebendo? Quais padrões de comportamento, consumo e beleza estão sendo apresentados a eles? E, principalmente, quem está ajudando essas crianças a interpretar tudo isso?
O algoritmo conhece nossos interesses e aprende com nossos comportamentos. Ele seleciona conteúdos capazes de manter nossa atenção. Os pais, por outro lado, conhecem seus filhos, mas muitas vezes desconhecem o ambiente digital em que eles estão inseridos. Não se trata de declarar guerra à tecnologia. Trata-se de compreender que educação digital também é educação.
Se queremos proteger crianças e adolescentes, precisamos trocar a simples fiscalização pela presença, pelo diálogo e pelo desenvolvimento do pensamento crítico. A pesquisa mostra que os adolescentes querem uma internet melhor. Talvez esteja na hora de os adultos assumirem a responsabilidade de ajudá-los a construí-la. Porque, se os pais não participarem da educação digital de seus filhos, alguém participará. E a pergunta que devemos fazer é: quem queremos que seja esse educador: a família ou o algoritmo?