Quando o acesso vira parte do tratamento

Quando falamos em planos de saúde, é importante que as famílias saibam que uma negativa não deve ser simplesmente aceita sem questionamento

Escrito por Marcos Martins producaodiario@svm.com.br
01 de Outubro de 2026 - 06:00
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Legenda: Advogado

O diagnóstico de Transtorno do Espectro Autista (TEA) transforma a rotina de muitas famílias. Junto com as dúvidas sobre desenvolvimento e tratamento, surge uma preocupação prática: como garantir que a criança tenha acesso aos cuidados necessários?

No Brasil, pessoas autistas têm direitos assegurados em áreas como saúde, educação e inclusão. O problema é que, muitas vezes, existe uma distância entre aquilo que a legislação garante e o que efetivamente chega à vida das famílias.

O Mapa Autismo Brasil, realizado pelo Instituto Autismos, ouviu mais de 23 mil pessoas e revelou um cenário preocupante: apenas 15,5% dos entrevistados realizam terapias pela rede pública. Mais de 60% recorrem a planos de saúde ou ao atendimento particular. Outro dado chama atenção: 56,5% relataram até duas horas semanais de terapia. Enquanto isso, o Censo 2022 identificou 2,4 milhões de pessoas diagnosticadas com TEA no país.

Quando falamos em planos de saúde, é importante que as famílias saibam que uma negativa não deve ser simplesmente aceita sem questionamento. A legislação estabelece regras para a cobertura de tratamentos e, em determinadas situações, procedimentos que não constam no rol da ANS podem ser cobertos. A análise deve considerar a indicação médica, as evidências científicas e os demais requisitos legais.

Nessas situações, guardar prescrições, relatórios, pedidos médicos, protocolos e negativas por escrito pode ser decisivo. A documentação permite compreender o caso e avaliar os caminhos administrativos ou judiciais disponíveis.

No SUS, também existem direitos. Quando o atendimento necessário não está disponível, a família deve formalizar a solicitação e registrar as dificuldades encontradas. A mesma lógica vale para a educação: inclusão não significa apenas garantir matrícula, mas assegurar condições para que o estudante participe efetivamente da vida escolar.

Informação, portanto, não é um detalhe. É uma ferramenta de cidadania. Conhecer os próprios direitos permite que pais e responsáveis deixem de enfrentar sozinhos as barreiras de acesso à saúde e à educação.

Garantir o direito das pessoas autistas não é conceder um privilégio. É cumprir a lei e, acima de tudo, respeitar a dignidade e as necessidades de cada pessoa.

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