Imagine uma empresa que fatura R$ 250 mil e tem despesas de R$ 200 mil. Antes dos impostos, sobram R$ 50 mil. No entanto, dependendo do enquadramento tributário, uma parcela importante desse valor pode ser consumida pelos tributos. No Simples Nacional, por exemplo, o imposto é calculado sobre o faturamento, e não simplesmente sobre o lucro. A alíquota varia conforme a atividade, o anexo e a faixa de receita. Em determinado cenário, essa empresa poderia recolher algo próximo de R$ 35 mil. O resultado seria um lucro bem menor do que o esperado.
É nesse ponto que entra o planejamento tributário e societário, que deve ser feito antes de qualquer mudança e com base nos números reais da empresa. Uma reorganização pode envolver a transformação da empresa para o Lucro Real e a criação de uma nova empresa para determinadas atividades, como prestação de serviços ou fornecimento de mão de obra.
No exemplo apresentado, com a nova organização e considerando a locação e a distribuição adequada das despesas entre as empresas do grupo, a carga tributária poderia chegar a aproximadamente R$ 7.300, representando uma economia estimada de R$ 27.700 em relação aos R$ 35 mil anteriores.
Mas existe um ponto fundamental: planejamento tributário não significa criar empresas apenas para reduzir impostos. A estrutura precisa ter propósito econômico, funcionar de verdade e respeitar as regras fiscais e societárias. Uma empresa de prestação de serviços, por exemplo, não deve existir apenas para atender uma única empresa do próprio grupo, se a operação exigir atuação efetiva no mercado.
Por isso, antes de mudar o regime ou abrir novas empresas, é indispensável analisar contratos, atividades, despesas, folha, patrimônio e fluxo financeiro. A ideia não é sonegar. É pagar os impostos corretamente, dentro da lei, utilizando uma estrutura compatível com o tamanho e a realidade do negócio.
No fim, uma boa estrutura societária não serve apenas para economizar. Ela precisa fazer sentido para o negócio, ser documentada e funcionar na prática. Ela organiza o patrimônio, separa operações, melhora a gestão e pode colocar mais dinheiro no caixa da empresa de forma legal e sustentável.