Protagonismo estudantil

Escrito por Manoela Abreu producaodiario@svm.com.br
03 de Setembro de 2025 - 06:00
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Legenda: Manoela Abreu é psicopedagoga

Mais do que decorar conteúdos, o estudante do século XXI precisa aprender a pensar, a questionar, a trabalhar em grupo e a encontrar sentido no que estuda. Para isso, não basta mudar a metodologia, é preciso mudar como enxergamos o próprio papel da criança e do adolescente na aprendizagem.

Durante muito tempo, o estudante foi visto como um sujeito passivo, um ouvinte. A ele cabia escutar, copiar e memorizar. O professor, por sua vez, era o detentor do saber, aquele que conduzia a aula do início ao fim, como uma transmissão linear de conhecimento. Esse modelo ainda resiste em muitas escolas, mas já não atende às demandas do nosso tempo.

Hoje, sabe-se que o aluno aprende melhor quando participa ativamente do processo. Quando é desafiado a resolver problemas reais, quando precisa argumentar, colaborar com colegas, construir hipóteses, testar ideias. É aí que entram as metodologias ativas, um conjunto de estratégias que coloca o estudante no centro da aprendizagem.

Mas atenção: protagonismo não é fazer “o que quiser”, nem ausência de mediação. Pelo contrário, é quando o professor se torna ainda mais essencial, como alguém que planeja, provoca, instiga e sustenta o processo. Não se trata de abdicar da autoridade pedagógica, mas de exercê-la de forma mais potente e significativa.

Na prática, as metodologias ativas podem se expressar de diversas formas: sala de aula invertida, rotação por estações, aprendizagem baseada em projetos, em desafios. O que todas elas têm em comum é a intencionalidade e o convite ao pensamento crítico e à autoria.

Ao experimentar essas práticas, a escola também precisa estar disposta a rever algumas estruturas. O tempo da aula, a disposição das carteiras, os critérios de avaliação e, principalmente, o conceito de erro. Numa cultura de protagonismo, errar faz parte do caminho.

Mais do que uma tendência, as metodologias ativas são um compromisso com uma educação mais viva, mais conectada com a realidade e com o futuro. E esse futuro exige pessoas que saibam trabalhar em equipe, comunicar ideias, ter autonomia, fazer escolhas. Não se trata de preparar o aluno apenas para o vestibular, mas para a vida.

Manoela Abreu é psicopedagoga

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