Paternidade: por que os homens também precisam cuidar da fertilidade

Escrito por Daniel Diógenes producaodiario@svm.com.br
09 de Agosto de 2026 - 06:00
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Legenda: Daniel Diógenes é médico

Quando se fala em fertilidade, ainda é comum que toda a atenção seja direcionada à mulher. No entanto, a ciência mostra que essa percepção está longe da realidade. Em cerca de metade dos casos de dificuldade para engravidar, há participação de fatores masculinos. Ainda assim, muitos homens só procuram ajuda especializada depois de meses ou até anos de tentativas frustradas.

Neste Mês dos Pais, vale refletir sobre um aspecto pouco discutido: a paternidade começa muito antes da gestação. Ela tem início no cuidado com a própria saúde reprodutiva.

A fertilidade masculina pode ser afetada por diversos fatores, como obesidade, tabagismo, consumo excessivo de álcool, uso de anabolizantes, sedentarismo, estresse, exposição a altas temperaturas, doenças crônicas e até pela idade. Embora os homens produzam espermatozoides ao longo da vida, isso não significa que a qualidade permaneça a mesma com o passar dos anos. Alterações genéticas e redução da qualidade seminal também podem ocorrer com o envelhecimento.

Outro desafio é cultural. Muitos homens associam a fertilidade à virilidade e acabam adiando a procura por avaliação médica por medo, preconceito ou desinformação. Essa resistência pode atrasar o diagnóstico de problemas tratáveis, como a varicocele, alterações hormonais, infecções e outras condições que comprometem a capacidade reprodutiva.

Felizmente, a medicina reprodutiva evoluiu de forma significativa. Hoje, além de tratamentos eficazes para diferentes causas de infertilidade, é possível realizar a preservação da fertilidade por meio do congelamento de sêmen. O procedimento, antes mais comum entre pacientes oncológicos, também vem sendo procurado por homens que desejam adiar a paternidade, passar por cirurgias ou tratamentos que possam comprometer a produção de espermatozoides ou simplesmente planejar o futuro com mais segurança.

Planejar a paternidade também é um ato de responsabilidade. Assim como os homens fazem exames preventivos para cuidar do coração ou da próstata, avaliar a fertilidade deve fazer parte da atenção integral à saúde masculina.

Ser pai começa muito antes de segurar um filho nos braços. Começa na decisão de cuidar de si mesmo, de buscar informação e de entender que a fertilidade também merece atenção. Afinal, preservar a possibilidade de construir uma família no momento desejado é, acima de tudo, uma forma de cuidar dos próprios sonhos e daqueles que ainda estão por vir.

Daniel Diógenes é médico