Durante muito tempo, a menopausa foi associada apenas aos fogachos, ao fim da menstruação e às mudanças físicas. Mas existe uma dimensão que ainda recebe pouca atenção: a saúde emocional da mulher.
A menopausa representa um dos períodos de maior vulnerabilidade psiquiátrica da vida feminina. O momento mais crítico, porém, ocorre durante a transição menopausal, quando os ciclos ficam irregulares e os hormônios oscilam de forma imprevisível. Nessa fase, o risco de depressão pode ser até cinco vezes maior do que no restante da vida adulta.
No consultório, é comum ouvir relatos de cansaço, irritabilidade, ansiedade, insônia e dificuldade de concentração. Muitas mulheres acreditam que esses sintomas são "normais da idade", quando, na verdade, podem indicar alterações que precisam de avaliação. Estima-se que uma em cada três mulheres apresente sintomas de depressão, ansiedade ou distúrbios do sono durante essa fase.
Os fogachos também vão muito além do desconforto. Quando acontecem à noite, fragmentam o sono, favorecendo alterações de humor, aumento da ansiedade e prejuízos à memória. Controlar esses sintomas significa melhorar não apenas o bem-estar físico, mas também a saúde emocional.
O acompanhamento ginecológico é essencial para reconhecer essas alterações e indicar o tratamento mais adequado para cada paciente. A terapia hormonal continua sendo uma importante opção quando não há contraindicações. Além disso, a recente aprovação, pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), do primeiro medicamento não hormonal para os fogachos amplia as possibilidades terapêuticas para mulheres que não podem ou não desejam utilizar hormônios. Em alguns casos, antidepressivos também podem ser indicados, inclusive com benefício adicional na redução das ondas de calor.
A menopausa não deve ser encarada como um período de sofrimento inevitável. Com informação, diagnóstico precoce e tratamento individualizado, é possível controlar os sintomas, proteger a saúde mental e garantir mais qualidade de vida. Cuidar da menopausa é cuidar da mulher de forma integral.
Fernanda Rios é médica