É fato que o varejo brasileiro é um setor que enfrenta altos custos, margens apertadas e mudanças constantes, mas nele também há oportunidades para crescer com mais eficiência e sustentabilidade. Falar sobre o varejo é falar de transformação constante. Resiliência e adaptação não são apenas desejáveis, mas indispensáveis para a sobrevivência. Atuando de perto com companhias do setor, comento os sete desafios que refletem os dilemas atuais e apontam caminhos de evolução.
O primeiro se trata do custo elevado do crédito. O varejo depende intensamente de capital de terceiros para financiar capital de giro e expansão. Com a Selic na casa de 15% ao ano, o impacto é direto na rentabilidade. Nesse cenário, transparência contábil e auditoria independente não apenas elevam a confiança de bancos e investidores, mas também reduzem risco percebido, e se traduz em acesso a crédito mais barato, o que é vital para sustentar crescimento e expansão.
A vigilância permanente das despesas é um tópico indispensável. O setor opera com margens estreitas e grande a atuação do negócio pulverizado. Austeridade nos gastos é essencial, sobretudo em empresas em expansão, que ainda enfrentam custos iniciais relevantes, como treinamento de equipes antes mesmo da abertura de novas unidades.
Controle perdas de estoque! Estima-se que as perdas médias do setor girem em torno de 2% que podem equivaler à própria margem líquida de uma empresa. Processos bem definidos, políticas de inventário e tecnologia aplicada ao monitoramento e prevenção são determinantes para reduzir desperdícios e furtos. A reforma tributária a partir do novo modelo fiscal exige mapeamento de operações, adaptação de sistemas e treinamento das equipes.
Digitalizar e integrar canais: o cliente não diferencia mais físico de digital. Quer conveniência e experiência única. Não basta investir baseado no sucesso do uso de tecnologia dos concorrentes, o sucesso exige diagnóstico prévio, estratégia clara e principalmente governança na implementação de novas tecnologias. Investir sem alinhamento ao negócio pode resultar em desperdício de recursos e soluções rapidamente descontinuadas.
Com operações cada vez mais digitais, proteger informações sensíveis dos clientes é uma obrigação. Falhas podem gerar não apenas perdas financeiras, mas danos irreversíveis à reputação. Por fim, um ESG como diferencial competitivo. Responsabilidade ambiental, social e de governança já não são opcionais. Empresas que atuam de forma consistente nesse campo conquistam consumidores, investidores e parceiros, além de se posicionarem melhor no mercado.
Tiago Bezerra é auditor