Onde o Ceará pode se posicionar no ambiente de negócios internacional?

Escrito por Bruno Lessa e Júlia Teles producaodiario@svm.com.br
24 de Julho de 2026 - 06:00
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Legenda: Bruno Lessa e Júlia Teles são professores

Para fins de introdução sobre o atual Ceará é necessário situá-lo geograficamente como um ponto de conexão vital no Atlântico Sul, o que tem  implicações positivas assim como externalidades. O Ceará oferece uma redução estratégica em custos e tempos de frete, consolidando, por exemplo, o Complexo  Industrial e Portuário do Pecém como uma plataforma logística essencial para a  produção brasileira rumo ao Hemisfério Norte. Essa centralidade geográfica ganha  uma nova importância geopolítica em função da guerra entre Rússia e Ucrânia, que,  ao desestabilizar o suprimento de gás natural na Europa, criou uma urgência por  fontes de energia limpa e transformou o Ceará em um possível fornecedor de energia para o continente.

Além disso, o estado atua como protagonista na corrida tecnológica global ao consolidar Fortaleza como um dos principais hubs de cabos submarinos das Américas, concentrando 16 cabos internacionais que saem da Praia do Futuro e conectam o Brasil diretamente à África, Europa e América do Norte e sendo responsável por cerca de 90% do tráfego internacional de internet do país. Esta 
infraestrutura atraiu investimentos internacionais, como o complexo de data centers  do TikTok que está sendo construído no Porto do Pecém com um investimento de bilhões da gigante chinesa, simbolizando a disputa tecnológica cravada pelos Estados Unidos e China pela soberania digital. Esses fatores são refletidos em um desempenho comercial que hoje conta com as exportações crescendo 55,56% em 2025, sendo a maior taxa entre todos os estados brasileiros. 

Entretanto, esse destaque do Ceará no ambiente internacional tem que ser visto com cautela, pois os recursos que estão sendo oferecidos são essencialmente primários e uma vez esgotados prejudicam não só o contínuo desenvolvimento do Estado como a qualidade de vida da população. Enquanto o Ceará se destaca pela sua disposição para abrigar os data centers, continuam sendo países estrangeiros que os desenvolvem e ficam com o lucro do produto.

Bruno Lessa e Júlia Teles são professores