O sintoma que muita gente prefere ignorar

Escrito por Milena Girão producaodiario@svm.com.br
28 de Julho de 2026 - 06:00
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Legenda: Milena Girão é médica

Cuidar da saúde intestinal vai muito além de evitar desconfortos ou manter uma boa digestão. O intestino dá sinais quando algo não vai bem, e aprender a reconhecê-los pode fazer toda a diferença. 

Uma pesquisa recente do A.C.Camargo Cancer Center, realizada pela Nexus Pesquisa e Inteligência de Dados, mostrou que, embora a maioria dos brasileiros saiba que sangue nas fezes e mudanças persistentes no funcionamento do intestino são sintomas preocupantes, 43% ainda preferem esperar que eles desapareçam antes de procurar atendimento médico.

Como gastroenterologista, vejo esse comportamento com preocupação. Muitos pacientes chegam ao consultório acreditando que o sangramento é apenas uma hemorroida ou que a alteração do hábito intestinal é consequência da alimentação ou do estresse. Em alguns casos, realmente é, mas é justamente essa certeza sem investigação que pode atrasar o diagnóstico de doenças importantes, entre elas o câncer colorretal, que apresenta altas chances de cura quando identificado precocemente.

Outro dado que chama atenção é que boa parte da população desconhece o principal exame para rastreamento da doença: a colonoscopia. Hoje, pessoas a partir dos 45 anos ou com histórico familiar e outros fatores de risco devem conversar com seu médico sobre o momento ideal para iniciar esse acompanhamento.

Sempre reforço que o nosso corpo dificilmente envia sinais por acaso. Esperar que esses sintomas desapareçam por conta própria pode significar perder um tempo precioso. Mais do que falar sobre câncer, precisamos criar uma cultura de cuidado com a saúde intestinal. 

A prevenção começa com hábitos saudáveis, mas também com informação de qualidade e acompanhamento médico. Quando ouvimos o nosso intestino e buscamos ajuda no momento certo, aumentamos significativamente as chances de um diagnóstico precoce e de um tratamento menos agressivo. Ignorar um sintoma nunca deve ser uma opção.

Milena Girão é médica 

Edição do Dia