O otimismo como rebelião

O otimismo, por outro lado, acaba apagado diante de tamanha pressão psicológica

Escrito por Iuri dos Santos Pereira Filho producaodiario@svm.com.br
17 de Setembro de 2026 - 06:00
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Legenda: Estudante de agronomia

De blockbusters aos feeds infinitos, o instrumento é o mesmo. O "Pessimismo Cultural", que surgiu na Alemanha do século XIX, hoje ganha espaço em meio à globalização e transforma-se em um estado de espírito conflitante. Esse cenário afeta principalmente o jovem que, bombardeado por informações que instrumentalizam o caos em prol de lucro e engajamento, carece do ímpeto otimista necessário para sonhar e imaginar um porvir que desafie o sentimento de "fim do mundo".

Tal contexto evoca a célebre frase de Mark Fisher: "É mais fácil imaginar o fim do mundo do que o fim do capitalismo". A máxima sintetiza com firmeza e subversão o imaginário popular moderno, que é constantemente injetado com conteúdos que exigem uma ferramenta de engajamento infinito. O problema é que a tática escolhida afeta a mente da sociedade de maneira imprevisível, porém natural, já que sua função primária é garantir que o ser humano reaja a perigos previamente idealizados — um alerta de sobrevivência que o jovem moderno chama, hoje, de "ansiedade".

O otimismo, por outro lado, acaba apagado diante de tamanha pressão psicológica. Trata-se de uma perda brutal, levando em conta que, primariamente, é ele que garante ao Homo sapiens a capacidade de fabricar uma realidade que desafie as circunstâncias. Em poucas palavras: o otimismo age, e o pessimismo responde. Essa dinâmica natural, segundo um estudo publicado na revista PNAS, encontra-se desfalcada devido ao excesso de medo instrumentalizado pela mídia.

Um dos principais desafios para se pensar de maneira otimista está justamente na capacidade de imaginar e sonhar com um futuro melhor, já que, além de todos os estigmas que o pensamento positivo sofre, a cultura deixou de se alinhar aos interesses da comunidade para alimentar uma eterna engrenagem de entretenimento.

Sabendo disso, é vital que grandes líderes locais sustentem os reais interesses de sua sociedade. Isso vai desde apresentar novos conceitos e movimentos sociais que impactem de maneira positiva a comunidade, até o trabalho de base na manutenção da saúde mental dos envolvidos. A capacidade de imaginar e sonhar é inerente ao ser humano e, apesar de o pensamento pessimista ter tomado bastante espaço no imaginário popular, o otimismo segue sendo o vetor que muda o mundo.

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