O inimigo pode estar na tela do celular

Da mesma forma que educamos nossos filhos para respeitar, também precisamos fortalecer nossas filhas para enfrentar um mundo que ainda impõe riscos

Escrito por Daniel Machado producaodiario@svm.com.br
15 de Julho de 2026 - 06:00
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Legenda: Professor de jiu-jitsu


Enquanto muitos pais se preocupam com a violência das ruas, uma ameaça silenciosa entra em casa todos os dias pela tela do celular. Ela não faz barulho, não arromba portas e, muitas vezes, se apresenta como um simples vídeo de “conselhos para homens”. Aos poucos, porém, alguns desses conteúdos alimentam o desprezo pelas mulheres, transformam o controle em demonstração de amor e fazem da agressividade uma suposta prova de masculinidade.

Nem todo conteúdo associado ao movimento conhecido como Red Pill incentiva a violência. Mas existe uma parcela que dissemina discursos de ódio, normaliza relacionamentos abusivos e tenta convencer jovens de que mulheres são adversárias, e não parceiras. É assim que a intolerância encontra espaço para crescer.

Pais e educadores precisam estar atentos às pequenas mudanças. Comentários ofensivos sobre meninas, rejeição ao diálogo, desprezo pela igualdade entre homens e mulheres e a repetição de frases que circulam nesses grupos podem ser sinais de que algo não vai bem. Antes de julgar, é preciso conversar. Antes de punir, é preciso entender. A prevenção nasce da presença, da escuta e do exemplo.

Da mesma forma que educamos nossos filhos para respeitar, também precisamos fortalecer nossas filhas para enfrentar um mundo que ainda impõe riscos. É nesse momento que o jiu-jítsu deixa de ser apenas um esporte e passa a ser uma ferramenta de transformação. Mais do que ensinar golpes, ele desenvolve autoconfiança, inteligência emocional, disciplina e capacidade de reagir com equilíbrio diante do medo.

Uma mulher preparada nem sempre precisará lutar. Muitas vezes, sua maior vitória será reconhecer o perigo antes que ele aconteça, impor limites e encontrar a melhor oportunidade para se proteger.

A violência contra a mulher não começa com a agressão física. Ela nasce em ideias, palavras e comportamentos que aprendemos — ou deixamos de combater. E é justamente por isso que a família, a escola e o esporte continuam sendo as ferramentas mais poderosas para construir uma sociedade onde o respeito seja mais forte do que o ódio.