Há uma pergunta que deveríamos fazer antes de ouvir qualquer candidato falar de educação: a quem serve, de fato, essa política?
Não “o que ela promete”. Não “quanto vai custar”. Mas: quando o anúncio termina, os aplausos cessam e a política começa a existir no dia a dia de uma escola, quem decide como ela vai funcionar e para quem?
A cada eleição, o político da vez finge que a escola pública é obra de sua generosidade pessoal, toma a chave da escola pública, decreta-se inventor da educação ideal e vende, no palanque, a ilusão de um sistema à prova de falhas.
Vejamos um exemplo de discurso oportunista: o crescimento explosivo da violência extrema nas escolas brasileiras, culminando em 43 ataques e 168 vítimas entre 2001 e 2024, além da recente tentativa de homicídio contra um professor em Manaus, expõe uma tragédia contínua e alarmante: a agressão nas salas de aula deixou de ser um evento isolado para se tornar uma ameaça sistêmica.
E é justamente assim que a política do colarinho encontra seu terreno mais dramaticamente fértil. É nesse vácuo que aparecem os aproveitadores: candidatos que transformam a tragédia em vitrine, vendendo promessas vazias como resposta, uma câmera a mais, um discurso de “resgate da autoridade”, um pacote de “mais segurança” sem plano de prevenção, sem indicador de resultado e, sobretudo, sem mecanismo claro de responsabilização. São respostas fáceis de anunciar, difíceis de auditar e quase impossíveis de responsabilizar quando falham.
Não é preciso má-fé em cada caso. Basta que não exista mecanismo de responsabilização. Porque um sistema sem prestação de contas não consegue distinguir entre uma política a serviço do aluno e uma política a serviço de quem a administra.
No fim, onde estão as metas, os prazos, os responsáveis, os indicadores e os critérios objetivos para avaliar a execução? Quem será cobrado pelo resultado? O que acontece quando a “política” não funciona? Qual é a consequência institucional para quem não cumprir o que foi prometido? Quem veste a faixa pode até administrar a escola por um período; a chave, porém, continua sendo de todos nós.