O choro do meu filho me mostrou a maior lição desta Copa

Escrito por Fernanda Leite producaodiario@svm.com.br
09 de Julho de 2026 - 06:00
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Legenda: Fernanda Leite é jornalista

A eliminação do Brasil na Copa do Mundo entristeceu milhões de brasileiros. Mas acredito que quem mais sofreu foram as crianças. Elas vivem o futebol de forma intensa, sonham sem limites e acreditam até o último minuto. Quando o apito final confirmou a derrota, muitos pequenos sentiram como se também tivessem perdido um sonho.

Foi assim na minha casa. Meu filho chorou muito pelo fim do sonho do hexa, por nunca ter visto o Brasil ganhar a copa e por imaginar que Neymar, seu maior ídolo no futebol, talvez não dispute outra Copa. Há quem critique o jogador, mas toda criança tem seus ídolos. Outro dia ele era fã do Lucas Neto. Hoje já não é mais. Amanhã será outro. Os ídolos passam. Os valores que ensinamos ficam. Por isso, sempre digo que o maior exemplo da vida dele deve ser Deus e que ele também pode se tornar alguém que inspire outras pessoas.

Depois que o choro passou, sentei ao lado dele para conversar. Como um dos maiores sonhos dele é ser jogador de futebol, disse que ainda teremos outras Copas e que, quem sabe, em 2034, ele não esteja em campo vestindo a camisa da Seleção?

Mas a conversa foi muito além do futebol. Expliquei que a vida também terá derrotas. Talvez um namoro termine, ele não consiga o emprego dos sonhos ou seja reprovado em um concurso. Então pedi que prestasse atenção ao que estava sentindo. A dor pela derrota do Brasil parecia enorme naquele momento, mas já começava a diminuir com o passar das horas. Amanhã diminuirá mais um pouco. Algumas dores da vida demoram mais para passar, mas passam. O sofrimento não é uma sentença; ele também acaba.

Também falei sobre os sonhos. Hoje ele sonha em ver o Brasil campeão. Amanhã poderá sonhar com uma profissão, um carro, uma família ou tantas outras conquistas. A vida muda, e os sonhos mudam com ela.

Logo após a eliminação, começaram a circular vídeos de crianças rasgando álbuns de figurinhas e camisas da Seleção. Aqui em casa, fiz questão de dizer que terminaríamos o álbum. Ainda faltam cerca de 150 figurinhas. Cada uma representa o suor do meu trabalho, mas também os momentos que vivemos juntos: abrir pacotinhos, fazer trocas, conhecer pessoas e criar memórias.

Percebi que, às vezes, uma derrota pode nos dar a maior oportunidade de educar. A Copa acabou, mas ficou uma lição que espero que meu filho carregue para a vida: perder faz parte. Recomeçar também.

Fernanda Leite  é jornalista