O alto custo do RH que troca estratégia por assistência emocional

Escrito por Paula Dantas producaodiario@svm.com.br
10 de Setembro de 2025 - 06:00
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Legenda: Paula Dantas é especialista em gestão de pessoa

O RH brasileiro enfrenta um desvio de função silencioso: em muitas empresas, deixou de ser o motor estratégico da gestão para assumir o papel de “consultório emocional” da equipe. À primeira vista, pode parecer humano e acolhedor. Mas, na prática, é um erro caro, que compromete resultados e competitividade. 

Segundo a consultoria global Gallup, organizações com RH alinhado à estratégia apresentam até 27% mais lucro do que aquelas que mantêm o setor com foco apenas operacional ou assistencialista. No Brasil, no entanto, ainda é comum ver profissionais de Recursos Humanos ocupando-se de conflitos pessoais, desabafos e dramas cotidianos — muitas vezes sem qualquer metodologia estruturada ou ligação com os objetivos do negócio. 

Como costumo dizer: “Empatia sem estratégia não é cuidado, é fragilidade”. O RH existe para integrar pessoas e resultados, e isso exige processos claros, indicadores consistentes e alinhamento jurídico permanente.

Quando o RH perde o foco estratégico, as consequências se acumulam: atrasos em entregas críticas, como recrutamento, avaliação de desempenho e monitoramento de indicadores; decisões emocionais que se disfarçam de empatia, mas resultam em improviso e risco jurídico; aumento de passivos trabalhistas por falta de políticas claras e gestão técnica; e lideranças frágeis, que transferem a responsabilidade de gerir pessoas para o RH, enfraquecendo a cultura de liderança.

O impacto financeiro é real, embora muitas vezes invisível. Quando o RH não atua como estrategista, a empresa paga mais caro por rotatividade, treinamentos corretivos e ações trabalhistas. São custos que não aparecem no DRE de forma isolada, mas que corroem margens e reduzem a capacidade de investimento. 

Empresas que reposicionam o RH como peça estratégica colhem equipes mais engajadas, menor rotatividade e resultados sustentáveis. Já aquelas que mantêm o modelo assistencialista seguirão perdendo talentos, tempo e dinheiro. No mercado atual, o RH precisa ser o cérebro que conecta pessoas, estratégia e proteção jurídica. O resto é conversa de corredor.

Paula Dantas é especialista em gestão de pessoa

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