Em meio a este clima de Copa do Mundo, que contagia a todos nós, acreditemos ou não no êxito da Seleção, um fato aconteceu e, na nossa avaliação, não teve grande repercussão. Talvez, até mesmo, porque coincidiu com o exato dia de abertura do torneio, 11 de junho. Referimo-nos ao falecimento de Brito, jogador da Canarinha e tricampeão nos gramados do México, em 1970.
O fluminense Hércules Brito Ruas morreu no Rio de Janeiro, cidade onde também nasceu, aos 86 anos, por complicações de uma pneumonia. A notícia, se teve alguma divulgação, pouco repercutiu.
Vimo-la por puro acaso, ao pesquisarmos algumas informações sobre a Copa, num canal que exibe os jogos pelo YouTube. Certamente os brasileiros de nossa geração, e até muitos das seguintes, lembrar-se-ão do papel fundamental que Brito exerceu como zagueiro da Seleção, atuando como titular em todos os jogos que nos levaram ao glorioso e incontestável terceiro título mundial.
Tínhamos apenas nove anos de idade, mas lembramo-nos muito bem da segurança que ele conferia à zaga brasileira, impedindo os avanços dos adversários com eficiência, juntamente com seus companheiros Félix (goleiro, 1937-2012), Carlos Alberto (lateral direito e capitão da Seleção, 1944-2016), Wilson Piazza (zagueiro, 1943-) e o gaúcho Everaldo (lateral esquerdo, 1944-1974), que, a propósito, faleceria poucos anos depois, em decorrência de acidente automobilístico em sua terra natal. De todo aquele grande grupo, sobrevive apenas o mineiro Piazza, nascido em Ribeirão das Neves e, na data de hoje, com 83 anos.
Brito iniciou sua carreira em 1957, no Vasco da Gama, sua equipe de coração. Após breve temporada no Internacional de Porto Alegre, retornou ao Vasco em 1959, sempre atuando na defesa. Ali permaneceria até 1969 e, naquele período de dez anos, receberia a missão e a grande responsabilidade de substituir, como zagueiro, o paulista Hilderaldo Bellini (1930-2014), que havia sido bicampeão pela Seleção Brasileira e, em 1962, após a conquista do segundo título mundial, fora negociado com o São Paulo Futebol Clube. Durante sua permanência no Vasco, Brito seria campeão do extinto Torneio Rio-São Paulo, em 1966. Em 1969, seria vendido ao Flamengo, período em que foi convocado pelo técnico Mário Jorge Lobo Zagallo (1931-2024) para ocupar a zaga da Seleção, ao lado de Piazza.
Por sinal, foi considerado, pela Organização Mundial de Saúde (OMS), o jogador de melhor preparo físico daquela competição. Na Canarinha, o zagueiro atuaria até 1972, em 46 partidas no total. Jogou por outros importantes clubes brasileiros, como o Botafogo (RJ) e o Corínthians (SP), além de agremiações como o Montreal Castors, do Canadá, e o Deportivo Galicia, da Venezuela. Encerrou sua carreira como jogador no River (PI), em 1979. Cremos que necessário se faz mencionar sua relevância para o futebol brasileiro. Merecedor dessa lembrança, Brito agora joga nos gramados da eternidade…