Mais ônibus e tarifa baixa vêm primeiro

A prioridade é o tripé: Boa Oferta, Frota Nova e Tarifa Baixa

Escrito por Dimas Barreira producaodiario@svm.com.br
02 de Setembro de 2026 - 06:00
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Legenda: Administrador de empresas

Num painel do Seminário Nacional da NTU, na Latbus, o debate voltou a girar em torno de tecnologias mais caras: ônibus elétricos, piso baixo e acessórios inspirados pela realidade atípica da maior e mais rica metrópole do país. Transformar essa exceção em referência nacional é um erro. Em grande parte do Brasil, o transporte público é um doente crônico: falta dinheiro, reduz-se a oferta, envelhece a frota, sobe a tarifa e perde-se mais passageiros. Discutir acessório onde falta o básico parece até negacionismo.

Quando a oferta cai, o dano vai muito além do desconforto. Intervalos se tornam inaceitáveis, linhas expressas desaparecem e oportunidades de emprego e educação ficam fora do alcance — até de quem tem gratuidade. O passageiro migra para o transporte individual, travando a cidade e, sobretudo por conta da motocicleta, transferindo a conta para hospitais e previdência. O transporte coletivo virou direito social, mas, diferente de saúde e educação, segue sem fonte orçamentária tripartite e estável. Incapazes, as metrópoles são deixadas para financiar sozinhas o derretimento do sistema.

Também é preciso separar política ambiental de fetiche tecnológico. Ônibus urbanos respondem por 0,8% das emissões de CO₂ e o Euro 6 (novo padrão tecnológico a Diesel) praticamente elimina os poluentes locais com um custo total de propriedade (soma dos investimentos mais a operação na sua vida útil) muito menor que o elétrico a baterias. Eletrificação custa caro e, enquanto faltam boa frequência e renovação, é inversão de prioridades. Fortaleza já oferece previsão de chegada nos pontos em tempo real, ar-condicionado, câmeras de segurança, suspensão pneumática e cobertura espacial de 97% da população a até 300 metros. O nosso desafio, e de muitas outras cidades, é sustentar o básico.

A prioridade é o tripé: Boa Oferta, Frota Nova e Tarifa Baixa. Antes de acrescentar custos, é preciso garantir ônibus suficientes, novos e acessíveis. Tecnologia é bem-vinda quando melhora o sistema sem destruir sua capacidade de servir. Como eu disse no seminário, encarecer com acessórios um serviço com oferta insuficiente e orçamento quebrado é perfumar peixe podre.

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