Discutir logística inteligente deixou de ser exercício de futuro para se tornar uma necessidade econômica do Brasil. Em 2025, os custos logísticos chegaram a R$ 1,96 trilhão, equivalentes a 15,5% do PIB, segundo dados do Instituto de Logística e Supply Chain (ILOS). Já a Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq), informou que, no mesmo ano, os portos brasileiros movimentaram 1,4 bilhão de toneladas, recorde histórico. Os números revelam a escala do desafio: produzimos e exportamos muito, mas ainda precisamos transportar melhor.
A multimodalidade é central nessa resposta. Dados da Infra S.A., apresentados no Plano Nacional de Logística 2050, mostram que 54% da movimentação de cargas está concentrada nas rodovias, enquanto as ferrovias respondem por 27% e o modal aquaviário por 19%. Integrar rodovias, ferrovias, hidrovias, cabotagem e portos significa utilizar cada modal onde ele pode oferecer maior eficiência e ampliar as alternativas para o escoamento da produção.
A inteligência artificial acrescenta uma nova dimensão a essa transformação. O programa Portos 4.0 já prevê o uso de IA, internet das coisas, big data e sistemas integrados para monitorar operações em tempo real, reduzir custos e otimizar recursos. É uma demonstração concreta de como tecnologia e infraestrutura precisam avançar juntas.
Há ainda um componente estratégico: a resiliência geopolítica. Tensões comerciais, conflitos regionais e mudanças nas cadeias globais podem alterar fluxos de comércio e pressionar corredores logísticos. Ser resiliente exige infraestrutura capaz de responder a choques externos, mudanças de demanda e eventos climáticos.
Multimodalidade, IA e resiliência não são agendas separadas. São partes de uma mesma estratégia. Para um país continental e exportador como o Brasil, logística inteligente significa competitividade, segurança econômica e maior capacidade de ocupar espaço nas cadeias globais.