O Grupo Rabbit divulgou recentemente a pesquisa Turnover – Rotatividade de Funcionários. O levantamento revelou um dado que merece atenção: o índice médio de turnover na educação privada alcança 32%, sendo 13% de desligamentos promovidos pelas escolas e 19% de pedidos espontâneos de demissão. Entre os segmentos, a Educação Infantil lidera a rotatividade (39%), seguida pelo Ensino Fundamental II (31%), Ensino Fundamental I (29%) e Ensino Médio (20%).
Costumamos justificar o turnover pela queda de matrículas ou pela necessidade de reduzir custos. A explicação é conveniente, mas incompleta. Em muitas escolas, a rotatividade deixou de ser consequência e virou modelo de gestão. Não por acaso, os principais cortes acontecem em duas janelas: entre dezembro e janeiro, após as rematrículas, e em julho, durante o recesso escolar.
Sob a lógica financeira, a decisão parece racional. Afinal, a folha de pagamento representa entre 55% e 70% dos custos operacionais. O problema não é cortar custos, mas transformar professores na primeira opção de ajuste.
As escolas tornaram-se especialistas em indicadores financeiros. Monitoram inadimplência, captação, evasão, ticket médio, CAC e NPS. Mas quantas acompanham, com o mesmo rigor, o tempo médio de permanência dos professores? Quantas medem a satisfação docente, as causas dos desligamentos ou os impactos da rotatividade na aprendizagem?
Talvez o problema não seja a falta de indicadores, mas a escolha do que medir. Afinal, o que não entra na planilha dificilmente entra na estratégia. E, na educação, essa cegueira costuma custar muito mais do que a folha de pagamento.
Organizações de alto desempenho convivem com um turnover saudável. Aposentadorias, promoções, movimentações planejadas, incompatibilidade de perfil ou baixo desempenho fazem parte da dinâmica institucional. O problema começa quando a exceção vira método.
Quando o turnover deixa de ser um ajuste pontual e passa a definir a cultura da organização: professores experientes saem, talentos deixam de permanecer, equipes são constantemente reconstruídas e a escola se acostuma a recomeçar o que nunca teve tempo de consolidar.
Davi Marreiro é consultor pedagógico