O ainda recente episódio da criança que foi hostilizada no estádio do Corínthians, a Neo Química Arena, ao final do jogo entre aquela equipe e a do Santos de Neymar, no qual o time santista saiu vencedor pelo resultado de 1x0, reacende o debate sobre a intolerância no futebol. Terminada a partida pela Série A do Campeonato Brasileiro, o garoto – corintiano, mas admirador do famoso atleta do Santos – pediu, utilizando-se de um cartaz, a camisa de Neymar, no que foi atendido.
A camisa ganha pela criança gerou, entretanto, uma reação absurda por parte dos torcedores que assistiram ao jogo, provocando a saída do menino e de seus familiares sob escolta policial. Por determinação do Ministério Público paulista, o evento, como outros, foi realizado somente com a presença de uma única torcida – no caso, a corintiana - , criando assim um ambiente completamente adverso para o menino e sua família. O fato poderia ter atingido proporções mais graves, resultado da imbecilidade e intransigência de centenas de indivíduos que, pelo mau comportamento, deveriam, a esta altura, estar atrás das grades.
Houve quem considerasse, com algum sentido, que a família do jovem torcedor se submetera a um risco evitável, expondo a criança, com sua atitude simples e natural, à sanha e estupidez daquela horda de baderneiros. O gesto do garoto, porém, jamais deveria ser entendido como uma afronta ao público presente ao estádio e, sim, como sua admiração pessoal por um atleta que atua pela equipe adversária.
Ao pedir a camisa a Neymar, o menino agiu de forma espontânea, como muitos jovens torcedores o fazem nos estádios de todo o país, portando cartazes nos quais pedem as camisas dos jogadores que admiram. Nada mais normal e perfeitamente admissível! Todavia, a reação dos “torcedores” – na nossa opinião, bandidos travestidos como tais – foi extremamente agressiva, transformando um momento inesquecível para aquele garoto em um trauma que certamente carregará por toda a sua vida!
Os agressores do menino deveriam ser identificados e sofrer punição rigorosa por parte da diretoria do clube, que até já anunciou uma compensação para o menino e sua família. Eles serão convidados para uma visita ao centro de treinamento do clube e interagirão diretamente com os jogadores corintianos. Mas são casos assim, como igualmente os crimes racistas, os xingamentos e a violência nas praças esportivas, principalmente entre as chamadas “torcidas organizadas”, que têm afastado as pessoas de bem, os verdadeiros adeptos do bom e velho futebol, daqueles locais.
Temerosos da enorme possibilidade de se tornarem vítimas dos bandidos que infestam nossos estádios, fantasiados de torcedores, preferem agir com prudência, preferindo protegerem-se a si próprios e as suas famílias. E, ao fim e ao cabo, tudo contribui para a difícil realidade deste esporte no Brasil, que precisa melhorar também nestes aspectos.