Incluir é mais do que abrir portas

Talvez o primeiro passo seja exercitar algo aparentemente simples - colocar-se no lugar do outro

Escrito por Laís Albuquerque producaodiario@svm.com.br
26 de Agosto de 2026 - 06:00
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Legenda: Advogada

A Semana Nacional da Pessoa com Deficiência Intelectual e Múltipla, celebrada de 21 a 28 de agosto, nos convida a uma reflexão que precisa ir além dessas datas: que sociedade estamos construindo para as pessoas com deficiência? Falar de inclusão é falar de direitos, acessibilidade e oportunidades, mas também de algo que nenhuma lei, sozinha, consegue garantir, que é forma como escolhemos olhar para o outro. Quantas vezes uma pessoa com deficiência ou sua família precisa enfrentar, além dos desafios cotidianos, a impaciência, os olhares de julgamento, a falta de acolhimento ou simplesmente a ausência de sensibilidade?

Talvez o primeiro passo seja exercitar algo aparentemente simples - colocar-se no lugar do outro. E se fosse você quem precisasse de alguns segundos a mais para compreender uma informação? E se fosse seu filho quem necessitasse de mais tempo para realizar uma atividade? E se alguém da sua família precisasse de apoio para se comunicar, aprender, se locomover ou participar de situações que, para tantas outras pessoas, acontecem naturalmente? Será que não desejaríamos encontrar, do outro lado, alguém disposto a esperar? A empatia começa quando entendemos que nem todos percorrem a vida da mesma maneira e que precisar de apoio não diminui o valor, a capacidade ou a dignidade de ninguém.

Incluir significa garantir acessibilidade, adaptar atividades, respeitar diferentes ritmos e oferecer oportunidades. Mas também significa ter paciência, prestar atenção, acolher, não julgar e estar disposto a ajudar. Para quem oferece, podem parecer apenas alguns segundos de atenção. Para quem recebe, esses segundos podem representar pertencimento, segurança e dignidade. Precisamos ensinar nossas crianças a conviver com as diferenças, preparar nossas escolas para acolher verdadeiramente e tornar nossos espaços cada vez mais acessíveis. Pessoas com deficiência não precisam de pena. Precisam de respeito, oportunidades e do direito de participar plenamente da sociedade.

Uma sociedade verdadeiramente inclusiva não é aquela que apenas abre suas portas. É aquela que faz com que todos se sintam pertencentes depois de entrar. Que esta Semana Nacional da Pessoa com Deficiência Intelectual e Múltipla nos lembre de que grandes transformações também começam em pequenos gestos. Olhe com mais atenção. Escute com mais paciência. Julgue menos. Acolha mais. Porque aquilo que para você pode representar apenas alguns segundos de compreensão pode transformar completamente o dia e, muitas vezes, a vida de outra pessoa.

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