É irreversível um fenômeno que vem se espalhando pelos municípios da Região Metropolitana e do Interior: o fechamento de agências bancárias. Dados do Banco Central indicam que, entre 2014 e 2024, pelo menos 90 unidades encerraram as atividades no Ceará.
Não há muito a ser feito diante dessa realidade. A modernização dos sistemas e serviços bancários eliminou boa parte das operações presenciais, ao mesmo tempo em que a tecnologia facilitou e ampliou o acesso dos usuários aos meios digitais. Como argumentar, diante de instituições públicas ou privadas, que determinada agência deve permanecer ativa mesmo com baixa demanda?
De fato, há prejuízos para o comércio e para o setor de serviços, especialmente entre consumidores que relutam em abrir mão das cédulas e moedas, e entre comerciantes que ainda rejeitam o Pix e outras formas de pagamento eletrônico. Trata-se de uma questão cultural que exige mais conscientização do que acomodação.
Há também fatores sociais — e até humanitários — envolvidos. Alguns municípios contam com poucas agências ou com unidades estruturalmente precárias. Enquanto houver fluxo de usuários, é necessário atendê-los com dignidade e conforto. Não se pode admitir filas de aposentados, pensionistas e beneficiários de programas sociais expostos ao sol ou à chuva, em calçadas. Essa é uma ressalva essencial que precisa ser feita.
Gradualmente, em todo o Ceará e no Brasil, mais agências devem ser fechadas. E um número crescente de pessoas deverá adotar com naturalidade os novos meios digitais. Assim como qualquer outro negócio, os bancos operam com o objetivo de obter lucro — e essa lógica também se aplica ao Banco do Brasil, à Caixa Econômica Federal e ao nosso querido Banco do Nordeste.
É possível que casas lotéricas e pontos de atendimento dos Correios se tornem alternativas para amenizar os impactos da transição entre a era do papel e a era digital. Pequenos e médios comércios também podem colaborar nesse processo.
E é provável que, daqui a 30 anos, um leitor que se depare com este artigo se surpreenda com o distanciamento de um passado tão remoto que existiu na primeira metade deste século.
Faz parte...
Blesser Moreno é sociólogo