Os desafios enfrentados pelo pequeno empreendedor no Brasil são diversos, e muitos deles já são de conhecimento de boa parte do público, como conseguir superar os anos iniciais, lidar com a concorrência e enfrentar as oscilações do setor. No atual cenário econômico nacional, com a taxa Selic em 14%, os juros surgem como um obstáculo a mais para ser superado. Para o segmento de bares e restaurantes, essa conjuntura cria um ambiente no qual honrar os compromissos com os fornecedores e manter um fluxo de caixa equilibrado torna-se ainda mais desafiador.
Diante deste panorama, cresce o apelo por métodos diferenciados de gerenciamento de estoque. A proposta just in time consiste em receber os produtos o mais perto possível do momento em que serão vendidos, evitando custos expressivos de armazenamento, reduzindo a chance de desperdício de itens perecíveis e cortando a necessidade de cuidar de um amplo estoque parado. Além disso, pedidos menores exigem menos acesso a crédito e permitem maior flexibilidade aos empreendimentos menores na hora de negociar com os fornecedores.
Atuando junto aos pequenos e médios empresários da alimentação fora do lar, percebemos no dia a dia o impacto positivo da ausência de pedido mínimo e um prazo de entrega de um dia útil nas operações de quem ainda está se firmando no mercado. Proporcionar condições mais competitivas para as empresas que ainda não têm acesso a bons termos de financiamento bancário acaba por ser um motor dos mais relevantes na engrenagem econômica do setor de serviços, favorecendo o empreendedorismo e construindo um contexto de maior dinamismo.
Com a taxa básica de juros tão elevada, e sem previsão de cortes bruscos no horizonte próximo, essa pode ser uma estratégia capaz de assegurar ao pequeno varejista a capacidade de enfrentar a disputa com as grande redes, minimizando os riscos e permitindo escalar o negócio de forma mais flexível, acompanhando a curva real de demanda.