Quando uma pessoa entra em uma academia, a expectativa é melhorar a saúde, ganhar qualidade de vida e investir no bem-estar. Mas uma sequência de mortes registradas em ambientes esportivos na Grande Fortaleza trouxe à tona uma realidade que costuma ser ignorada: a atividade física, embora essencial, também exige cuidados e avaliação adequada.
É nesse contexto que o Ceará começa a estruturar uma resposta concreta para um problema que vai além de casos isolados. O Projeto Esporte Mais Seguro surge como uma iniciativa que busca transformar, de forma prática, a relação entre exercício físico, prevenção e atendimento de emergência.
Idealizado pelo Centro de Ensino e Pesquisa em Esportes e Performance Humana (CEPEPH) juntamente com a Residência Médica em Medicina do Esporte da Escola de Saúde Pública do Ceará, Secretaria do Esporte do Estado e o Conselho Regional de Educação Física (CREF 5), o programa propõe uma abordagem baseada em dois pilares: evitar que eventos graves aconteçam e, quando inevitáveis, garantir que a resposta seja rápida e eficaz.
No campo da prevenção, o foco está na Avaliação Pré-Participação (APP), realizada no Centro de Saúde do Atleta Cearense, no Centro de Formação Olímpica. A proposta é simples e consiste em identificar riscos antes que o treino comece.
A triagem não se limita a um questionário básico. Envolve análise clínica detalhada, histórico familiar, investigação de uso de substâncias e, quando necessário, exames complementares. O objetivo é mapear vulnerabilidades silenciosas e orientar a prática esportiva de forma segura.
Já no segundo pilar, o projeto enfrenta um ponto crítico: o tempo de resposta em emergências. Instrutores, profissionais de academias e equipes esportivas recebem treinamento em Suporte Básico de Vida em Esportes (SBVE), com ênfase em situações como parada cardiorrespiratória. Ter alguém treinado no local, capaz de iniciar a reanimação cardiopulmonar e operar um desfibrilador externo automático antes da chegada do Samu, pode ser a diferença entre a vida e a morte.
Cesar Cima é médico