Falar sobre empreendedorismo feminino quase sempre nos leva aos mesmos temas: a dupla jornada, a maternidade e a busca pelo equilíbrio entre carreira e família. Esses desafios são reais, mas acredito que existe uma discussão igualmente importante: transformar a percepção sobre quem pode liderar determinados mercados.
Empreendo em segmentos historicamente ocupados por homens. O mercado do café, da produção aos negócios, e o setor de eventos corporativos ainda carregam uma cultura em que a liderança masculina costuma ser vista como regra. Felizmente, esse cenário está mudando graças a mulheres que decidiram ocupar esses espaços com preparo, estratégia e resultados.
Ao longo da minha trajetória, percebi que liderança não se impõe pela voz mais alta nem pela necessidade de provar força o tempo todo. Ela se constrói pela capacidade de formar equipes, desenvolver pessoas, criar soluções e inspirar confiança. É essa visão que procuro colocar em prática todos os dias.
Também aprendi que inovar exige olhar além do óbvio. Em um mercado cada vez mais voltado à experiência, entendemos que o café pode ir muito além da bebida. Ele pode criar conexões, despertar emoções, fortalecer marcas e transformar encontros em experiências memoráveis. Essa mudança de perspectiva abriu novas oportunidades para os negócios e mostrou que inovação também nasce da sensibilidade.
A presença feminina na liderança não representa apenas diversidade. Ela amplia perspectivas, fortalece ambientes colaborativos e contribui para decisões mais humanas e estratégicas. Empresas são feitas de pessoas, e pessoas crescem quando encontram líderes capazes de ouvir, adaptar e construir coletivamente.
Ainda existem barreiras. Muitas vezes elas aparecem na necessidade de demonstrar competência antes mesmo de apresentar resultados. Mas cada empresa liderada por uma mulher ajuda a reduzir essas distâncias e inspira outras a seguirem o mesmo caminho.
Empreender, para mim, nunca foi sobre disputar espaço com os homens. Sempre foi sobre mostrar que competência, visão de futuro e capacidade de transformar negócios não têm gênero. O mercado só tem a ganhar quando diferentes formas de liderar encontram espaço para crescer.