Emagrecer é importante. Restaurar o metabolismo é o verdadeiro tratamento

Escrito por Fernando Guanabara producaodiario@svm.com.br
31 de Julho de 2026 - 06:00
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Legenda: Fernando Guanabara é médico

Durante muito tempo, acreditou-se que tratar a obesidade significava apenas reduzir calorias e perder peso. A ciência evoluiu e mostrou que essa visão é incompleta. A obesidade é uma doença crônica, progressiva e inflamatória, capaz de alterar profundamente o funcionamento do organismo. Ela aumenta o risco de diabetes tipo 2, hipertensão, doenças cardiovasculares, apneia do sono e diversos tipos de câncer. O problema é crescente: segundo o Atlas Mundial da Obesidade, aproximadamente um em cada três brasileiros já vive com obesidade, enquanto mais de dois terços da população apresentam excesso de peso. Já a Federação Internacional de Diabetes estima que cerca de 17 milhões de brasileiros convivam com o diabetes. 

Os medicamentos para perda de peso transformaram a vida de milhares de pessoas e trouxeram novas possibilidades para o tratamento da obesidade. Mas resumir esse cuidado às chamadas "canetas para emagrecimento" é reduzir uma questão muito mais complexa. Mais do que promover a perda de peso, o objetivo da medicina é ajudar o organismo a recuperar seu equilíbrio metabólico. Isso significa diminuir a inflamação crônica, melhorar a sensibilidade à insulina, regular os hormônios que controlam a fome e a saciedade, preservar a massa muscular e fazer com que o corpo volte a utilizar a energia de forma mais eficiente. 

Essa mudança de conceito também transforma a maneira como encaramos o diabetes. Em muitos pacientes, quando há perda significativa de peso e recuperação da saúde metabólica, é possível alcançar a remissão da doença, reduzindo ou até suspendendo medicamentos, sempre com acompanhamento médico. Mais do que controlar a glicemia, busca-se modificar o ambiente biológico que favorece o desenvolvimento da enfermidade. 

É importante compreender que não existe tratamento eficaz sem mudanças no estilo de vida. Alimentação equilibrada, atividade física, sono de qualidade, controle do estresse e acompanhamento multiprofissional continuam sendo pilares indispensáveis. Os medicamentos são ferramentas poderosas, mas não devem substituir hábitos saudáveis. 

O principal objetivo do tratamento é recuperar a saúde e proporcionar mais disposição, bem-estar e qualidade de vida. Mais do que perder peso, trata-se de reduzir o risco de doenças. A obesidade não deve ser encarada apenas como uma questão de aparência ou de força de vontade, mas como uma doença crônica que exige tratamento e acompanhamento. Quando essa realidade é compreendida, o foco deixa de ser apenas o número na balança e passa a ser a conquista de uma saúde mais equilibrada e duradoura.

Fernando Guanabara é médico

Edição do Dia