A Pesquisa Nacional por Amostra em Domicílio (PNAD/2025) apontou dados que entristecem esse país ao mostrar que 64 milhões de pessoas com 15 ou mais, não terminaram a educação básica.
Essa realidade, porém, é resultado de um sistema de desigualdade social produzido historicamente no Brasil e que somente a construção de políticas públicas de Estado, comprometidas com a defesa do direito à educação para todas as pessoas, garantindo acesso, permanência e qualidade social será capaz de reverter tal contexto, ainda que se reconheça nos últimos anos avanços na efetivação das políticas públicas educacionais voltadas para a população jovem, adulta e idosa.
Não obstante, a concepção neoliberal de educação que tem como princípio a lógica do mercado desconsidera essa análise crítica e persiste em ler esses dados da PNAD/25 como consequências de um modelo de escolaridade básica que não dá conta da especificidade dos sujeitos da EJA porque não os prepara para o mercado de trabalho e a geração de renda.
Neste sentido, o lançamento da Rede EJA e Inserção Produtiva no dia de 7 de julho, em Brasília, liderada por 16 organizações financeiras, propõem políticas para integrar a EJA à qualificação profissional e à geração de renda, como saída para o desafio da não-escolarização no país.
A meu ver, em nome da defesa do direito à educação para todos (as), na prática, nega direitos, pois desconsidera a verdadeira causa da ausência de escolaridade do povo brasileiro, ao tempo que busca apoderar-se dos recursos públicos para fortalecer a educação privatista, sucateando as instituições públicas. Ademais, defende a instrumentalização da formação docente, aliada à produção de materiais didáticos com receitas prontas do que fazer e como fazer nos espaços educativos.
Modelos pré-fabricados de educação e ensino (educação bancária) não dão conta da formação da pessoa no seu sentido pleno, isto porque nega o contexto social de vida das pessoas, promove um currículo engessado, busca adequar a escola à lógica empresarial pautado na concorrência e no neoprodutivismo e, em especial na EJA, desconsidera sua diversidade, a qual requer uma concepção de educação popular na perspectiva freiriana.
Desta forma, pergunto-me sobre o que o bloco das organizações financeiras “vem combinando no breu das tocas”, pois EJA é direito, afirma a legislação educacional brasileira, mas não pode ser ofertada de qualquer jeito, evidencia o Movimento dos Fóruns de EJA do Brasil.
Clarice Gomes Costa é professora