Educação: dívida externa

Escrito por Davi Marreiro producaodiario@svm.com.br
02 de Setembro de 2025 - 06:00
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A educação deveria ser a cédula sem rosto, com valor universal, sem fronteiras, capaz de garantir relevância e dignidade a quem a possui. O problema é que, enquanto outros países investem pesado em pesquisa, inovação e conexões globais, o Brasil ainda se contenta em viver de troco. Basta observarmos o Plano Nacional de Educação: os investimentos permanecem no mínimo, voltados apenas a garantir a qualidade do ensino, formar professores e garantir recursos. O PNE parece o Seu Madruga da educação: eternamente inadimplente, improvisando com o que tem, mal cumprindo suas metas, formando sucessores igualmente “astutos” e ficando à mercê das pancadas das avaliações internacionais.

Estamos exagerando? Segundo o Times Higher Education (THE) Impact Rankings 2025, a universidade brasileira mais bem colocada aparece apenas entre as 200 melhores do mundo. À primeira vista, até poderia parecer motivo de orgulho. Mas, se olharmos de perto os critérios que definem excelência acadêmica: qualidade do ensino, impacto da pesquisa, internacionalização, interação com a indústria e reputação científica: a façanha se esfarela!

Atualmente, premiamos as escolas quase exclusivamente pelo aumento no número de matrículas e pela quantidade de crianças alfabetizadas. Mas e se aplicássemos às instituições brasileiras os critérios do THE Ranking? Nesse modelo, a avaliação não se limitaria ao desempenho dos estudantes em exames internacionais, como o PISA e o TIMSS, mas incluiria também a capacidade das escolas de conectar seus alunos a redes globais de conhecimento.

Ao considerar a aplicação prática do aprendizado, entrariam em pauta aspectos como o impacto de projetos que dialogam tanto com comunidades locais quanto internacionais. Além disso, haveria espaço para analisar a oferta de idiomas para além do básico e, em vez de valorizar apenas a participação em olimpíadas científicas, poderíamos medir as contribuições científicas produzidas no ambiente escolar. Se esses fossem os critérios, quantas escolas brasileiras, públicas ou privadas, conseguiriam sobreviver em um mundo onde educação já é medida em padrão global?

Davi Marreiro é consultor pedagógico

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