E se um dos tipos de câncer mais comuns entre as mulheres pudesse ser prevenido por meio da vacinação? A boa notícia é que isso já é possível.
O câncer do colo do útero, principal câncer associado ao Papilomavírus Humano (HPV), é uma doença amplamente evitável. Ainda assim, continua sendo um importante desafio para a saúde pública brasileira. Segundo o Ministério da Saúde, cerca de 7 mil mulheres morrem todos os anos no Brasil em decorrência da doença.
A principal forma de prevenção é a vacinação contra o HPV, disponível gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS). A vacina protege contra os tipos do vírus mais frequentemente associados ao desenvolvimento de cânceres e outras doenças relacionadas ao HPV, sendo uma das estratégias mais eficazes para reduzir a incidência e a mortalidade pelo câncer do colo do útero nas próximas décadas.
Os números mostram que o Brasil tem avançado. Em 2025, a cobertura vacinal alcançou 86% entre as meninas e 74,4% entre os meninos. Trata-se de um crescimento significativo em comparação aos anos anteriores. Segundo o Ministério da Saúde, o país já supera a média global de cobertura vacinal contra o HPV estimada pela Organização Mundial da Saúde (OMS).
No entanto, ainda há desafios importantes. Cerca de 3 milhões de crianças e adolescentes entre 9 e 14 anos permanecem sem vacinação no Brasil. E a meta estabelecida pela OMS é atingir 90% de cobertura até 2030 para avançar rumo à eliminação do câncer do colo do útero como problema de saúde pública.
Há, porém, uma oportunidade importante. O Ministério da Saúde prorrogou até 30 de junho de 2026 a estratégia de resgate vacinal para jovens de 15 a 19 anos que ainda não receberam a vacina. A imunização pode ser realizada gratuitamente em qualquer unidade de saúde.
Os benefícios já são comprovados. Estudos apontam uma redução de até 66% nas internações por lesões cervicais graves entre meninas vacinadas. Diante desses resultados, surge uma pergunta: o que ainda impede que mais pessoas se protejam?
A resposta passa por diversos fatores: desinformação, medo, fake news sobre possíveis efeitos adversos, tabus relacionados à sexualidade na adolescência e dificuldades de acesso em regiões mais remotas. São barreiras reais que precisam ser enfrentadas com informação de qualidade, diálogo aberto e políticas públicas capazes de alcançar quem mais precisa.
Prevenir também significa conversar sobre o tema. É com esse propósito que o projeto Unidos pela Eliminação do Câncer do Colo do Útero no Brasil, realizado pelo Grupo Mulheres do Brasil, atua em dez municípios cearenses promovendo ações de conscientização sobre vacinação, prevenção e diagnóstico precoce.
Porque cada conversa esclarecedora faz diferença. Quando uma mãe compreende a importância da vacina para seus filhos, quando um adolescente conhece seu direito à imunização ou quando uma mulher decide realizar seus exames preventivos, a prevenção deixa de ser apenas uma recomendação e passa a fazer parte da vida real.
E é assim, uma pessoa de cada vez, que construímos um futuro com menos casos de câncer do colo do útero e mais vidas protegidas.