A cidade cresce. Impelida pelo progresso e por todas as atividades sociais e econômicas que fazem parte de seu contexto, Fortaleza se desenvolve em ritmo acelerado. Porém, há aspectos importantes a serem considerados como parte deste avanço inexorável. Um deles é o preço que o dito progresso cobra da metrópole, em termos de sua desigual e insensível relação com a natureza. De há muito a capital cearense é conhecida pela destruição que empreende constantemente contra seu patrimônio histórico, representado por velhos sobrados e casarões que já sucumbiram diante da preponderância do capital sobre a memória da urbe, despindo-a hoje, quase que totalmente, daquelas velhas construções. Poucas, muito poucas, ainda resistem!
A cada dia que passa, diante da irrelevância a que são relegadas por seus proprietários e pelos órgãos que supostamente deveriam protegê-las, vão sumindo da paisagem urbana. E não fiquemos só nisso. Voltando à afrontosa e insensível relação com a natureza, acerca da qual acima nos referimos, há que se destacar a falta de cuidado e a gradual devastação das árvores nesta cidade, cada vez mais desnuda de sua cobertura verde. Não são poucos os exemplos desses atos que atentam contra a qualidade de vida de nossa população. E muitos destes, lamentavelmente, são bem recentes.
É sabido que o fenômeno meteorológico conhecido como El Niño, responsável pelo aquecimento das águas do Oceano Pacífico, repercute intensamente sobre o território brasileiro. E seus efeitos intensificar-se-ão com mais força sobre o país nos próximos meses, conforme as previsões dos meteorologistas. . Há alguns dias, diante do aumento das temperaturas em Belém, a prefeitura daquela cidade, que sediou a COP-30 no ano passado, anunciou o plantio de um milhão de mudas de árvores, a fim de amenizar o clima dos belenenses, tradicionalmente muito elevado. Porém, sempre na contramão da preservação do pouco verde que lhe resta, Fortaleza corre o sério risco de destruir as belas árvores do entorno da Central de Artesanato Luiza Távora, na Aldeota, com o anúncio da futura implantação de uma estação da linha leste do metrô naquela área!
Um verdadeiro absurdo, e num local já traumaticamente marcado por um crime arquitetônico, como foi a demolição do icônico Castelo do Plácido, em 1973. Ao longo do tempo, por total ignorância, despreparo ou maldade, mesmo, muito da já insuficiente cobertura vegetal da cidade foi destruído. Resta-nos bem pouco e é preciso, como no caso da capital paraense, recuperar o grande prejuízo que já causamos à natureza. Fortaleza, repito, continua a agredi-la impiedosamente. Que as nossas autoridades estaduais e municipais ajam, de forma urgente, para reverter este processo. Diante de tal constatação, é-me impossível calar!